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Entrevista a Sérgio Cunha: Reflexos da Pandemia nas empresas

Sérgio Cunha um dos proprietários das empresas de calçado NOBRAND e Calçado Pedreira, esteve ao telefone com o SF onde evidenciou que a pandemia, provocada pelo novo coronavírus, já se reflete negativamente, nos negócios.

Entrevista em março de 2020


Encerrou as empresas, onde laboram cerca de 220 pessoas, durante duas semanas, para férias, por uma questão de segurança para a saúde e para a economia.
“Queremos defender os nossos trabalhadores e fornecedores. É importante que as pessoas fiquem em casa. Está mais ao menos provado, que é o melhor remédio, que se pode tomar para combater este vírus. Por outro lado, surgem outros problemas, nomeadamente o cancelamento de encomendas.” O empresário fala deste obstáculo como algo que vai afetar os negócios a curto e a longo prazo. “As lojas estão fechadas, porque neste momento ninguém vai comprar sapatos”, referindo que quer os clientes, quer os fornecedores, também se deparam com dificuldades, levando as empresas a recorrer a outros mecanismos para tentar dar resposta. “Se não se morre da doença, vai-se morrer da cura”, que para si, se refletirá na parte económica, onde vão surgir tempos difíceis. Sérgio Cunha optou pelo Lay Off, que consiste na redução temporária dos períodos normais de trabalho, efetuada por iniciativa da empresa, para dar resposta a adversidades. “Provavelmente vamos ter que prolongar as férias. Estão previstas duas semanas, mas pelo que noto e face ao cancelamento de encomendas que temos tido, não temos hipótese em continuar a laborar”, considerando que só quando as lojas voltarem a abrir é que as fábricas, voltam à normalidade. Os contratempos não ficam por aqui. Os principais mercados são a Alemanha, EUA, França e Itália, ou seja, os mais afetados pela pandemia, com taxas de mortalidade elevadas. “Tudo que é mau, estamos a abarcar. Não aparece nada bom”, fez saber.

Face ao atual panorama, acha que vão surgir despedimentos?
A curto prazo, penso que não. Se o Lay off se mantiver, acredito que não tenha que despedir por três ou quatro meses. Depois não teremos hipótese e atenção que o Lay off custa-nos dinheiro. Se eles não pensarem num modelo completamente diferente, infelizmente, vamos ter que reduzir em todas as estruturas essa é a parte mais desagradável, disto tudo. Prevê-se um futuro muito negro.

Acha que as pessoas vão diminuir os hábitos de consumo?
As pessoas já estavam. O lifestyle das pessoas já tinha mudado, antes do problema da pandemia. As pessoas atualmente dão prioridade às coisas que lhes dão prazer como: férias, bons restaurantes, um bom telefone, bons computadores. Tudo que é de qualidade, as pessoas já tinham optado. Para calçar ou vestir qualquer coisa servia. Com as vantagens
das compras online, as pessoas começaram a comprar coisas, menos boas, sem serem vistas, em lojas mais fracas. Havia um certo preconceito. As compras na net acabaram com isso. O lifestyle já tinha mudado, mas vai mudar muito mais: as prioridades
vão ser os bens essenciais do dia a dia como pagar as contas da luz, renda, a educação dos filhos e a comida. Vai ser péssimo, vai ser uma recessão como as que costumamos ver nos filmes. Vai ser um filme de terror, na vida real, este inimigo ninguém consegue ver. Não conhecemos as consequências e é tudo imprevisível. Quando houver falta de bens essenciais vão surgir mais crimes e mais problemas sociais. É sem precedentes esta situação. É impossível vaticinar algo assim.

Face ao atual panorama, acha que vão surgir despedimentos?
A curto prazo, penso que não. Se o Lay off se mantiver, acredito que não tenha que despedir por três ou quatro meses. Depois não teremos hipótese e atenção que o Lay off custa-nos dinheiro. Se eles não pensarem num modelo completamente diferente, infelizmente, vamos ter que reduzir em todas as estruturas essa é a parte mais desagradável, disto tudo. Prevê-se um futuro muito negro.

Acha que as pessoas vão diminuir os hábitos de consumo?
As pessoas já estavam. O lifestyle das pessoas já tinha mudado, antes do problema da pandemia. As pessoas atualmente dão prioridade às coisas que lhes dão prazer como: férias, bons restaurantes, um bom telefone, bons computadores. Tudo que é de qualidade, as pessoas já tinham optado. Para calçar ou vestir qualquer coisa servia. Com as vantagens
das compras online, as pessoas começaram a comprar coisas, menos boas, sem serem vistas, em lojas mais fracas. Havia um certo preconceito. As compras na net acabaram com isso. O lifestyle já tinha mudado, mas vai mudar muito mais: as prioridades
vão ser os bens essenciais do dia a dia como pagar as contas da luz, renda, a educação dos filhos e a comida. Vai ser péssimo, vai ser uma recessão como as que costumamos ver nos filmes. Vai ser um filme de terror, na vida real, este inimigo ninguém consegue ver. Não conhecemos as consequências e é tudo imprevisível. Quando houver falta de bens essenciais vão surgir mais crimes e mais problemas sociais. É sem precedentes esta situação. É impossível vaticinar algo assim.

Nunca assistiu a um acontecimento semelhante na parte económica?
Nunca vi algo assim e era impensável. Sinto que é surreal. Nunca passou pela cabeça de ninguém, com todas as conjeturas que são feitas e planeadas, que isto acontecesse como está a acontecer. Isto é novo para todos: para os nossos políticos, economistas e para nós no dia a dia. Estamos a lutar contra algo invisível. Numa guerra, a gente sabe onde o inimigo está, defende- se e toma medidas. Aqui não, este inimigo é covarde e é difícil sair disto.

As empresas mais estáveis podem encerrar devido à atual situação que se vive no resto da Europa?
Infelizmente acho que isso vai acontecer. Mesmo que sejam empresas que estejam
mais ou menos, com boa posição, é uma concorrência desleal, uns estarem a receber subsídios e os outros não. Considero que todos vão optar por subsídios e concorrer às ajudas. Só quando os nossos vendedores de rua começarem a levantar a cabeça, é que iremos recomeçar. Será perante as necessidades deles, pouco a pouco, que iremos produzir. Não creio que será num período muito próximo, daí a ameaça de despedimentos vir a ser uma realidade. Já fiz jus disso nas redes sociais e cada vez mais temos que relembrar as pessoas, que às vezes mais vale pagar cinco ou dez euros a mais, mas comprar um artigo nacional, em detrimento dos artigos chineses ou vietnamitas. Não tenho nada contra os seus produtos e acredito que toda a gente tem direito a viver. Mas se a gente não olhar para nossa casa, quem é que olha? Acho importante que esta ideia seja divulgada. A população tem que perceber que se comprar produtos portugueses, está a salvaguardar os postos de trabalho, o futuro dos filhos e dos netos. Vivemos numa comunidade global e a comunidade europeia não é um país único, contudo, Portugal é uma província do mercado europeu e devíamos olhar para a nossa província e elevá-la.

Como vê o futuro das empresas?
A quantidade de anulações de pares é assustadora. Falo por mim, mas também noto pelos meus colegas do setor do calçado. Neste momento temos anulações, na ordem dos 70 mil pares, ou seja, 3 milhões de euros, que estavam programados para a produção. Tínhamos mais ao menos tudo acertado com as fábricas, até setembro. Tudo isso foi cancelado, temos cerca de 10%, se tivermos. Itália não está a laborar, sendo um dos principais países fornecedores da nossa empresa: não temos matéria-prima e enquanto os italianos não começarem a laborar, todos os pedidos que temos (pendentes), também não podem ser levados a cabo por nós. Preferimos encerrar duas semanas porque há falta de materiais e a produção tem que ser a 100%, não podemos trabalhar só com metade dos trabalhadores, os custos seriam enormes. Temos algumas encomendas canceladas e clientes que pedem condições novas de pagamento. Há até quem peça para devolver as encomendas, que foram enviadas há bastante tempo. Não nos estão a pagar. Vamos ter que pensar noutra política, como descontos para os incentivar a pagar ou aumentar o número de meses para o efeito. Pagar em quatro, ou seis meses será muito duro para as empresas.

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