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“As medidas do Governo são péssimas”

Entrevista em março de 2020

Pedro Félix é dono da empresa de componentes UFG – Componentes & Accessories, Unipessoal Lda, que se localiza em Lagares onde laboram cerca de quarenta e dois funcionários. Foi encerrada por iniciativa da entidade patronal, duas semanas. “Quando se começou a falar muito em Covid-19, no concelho, optamos por encerrar”, voltando esta semana a laborar, uma vez que as medidas do governo não são as mais acolhedoras.

Acredita que se todas as estruturas encerrassem seria mais prático combater o vírus e também reorganizar o sector, que vai acabar por parar. “Tenho conhecimento que várias empresas estão a suspender as suas funções por diversos motivos como a falta de encomendas e de materiais. Estamos perante um problema global. Algumas empresas continuam a trabalhar, mas as lojas estão fechadas. O negócio é inexistente”, esclarecendo que este modelo de negócio é um ciclo, em que as lojas vão acumular stock e as fábricas vão ter que parar de produzir. “É fácil prever o que vai acontecer: As lojas não estão a vender a coleção de verão. Como os nossos clientes não estão a ter retorno financeiro, as
próximas coleções sofrem constrangimentos. Isto funciona com budgets, ou seja, o comprador de uma marca tem um budget de 10 milhões de euros para comprar a coleção de verão.

O número de vendas dessa coleção é que vai determinar o número de budgets, das coleções seguintes. Neste caso já estaríamos a desenvolver a coleção de verão 2021”, referindo que as compras, no próximo ano vão ser afetadas, porque não vai haver dinheiro e consequentemente vão ter que cancelar encomendas, um problema que vai afetar os negócios. “A coleção de verão 2020 devia estar agora a ser vendida nas lojas e não está. Com o aumento de stock, em 2021, vão dar prioridade ao escoamento destes produtos acumulados e não mandar produzir mais. Ou cancelam encomendas, ou colocam em standby, apesar de achar que vão ter mesmo que cancelar”, expondo que não compreende como as empresas vão resistir. O empresário de solas prefere que os pedidos sejam cancelados, do que estar a vender, sem saber se vai receber. “As medidas que o governo adotou para apoiar as empresas são péssimas e inexistentes. Basicamente estão a pedir endividamentos para serem pagos mais tarde. Dizem para irmos ao banco, com uma taxa de 1 % ou 1,5% que é altíssima. No fundo não nos estão a ajudar em nada, mas a pedir que nos endividemos e depois logo se vê”, medida que Pedro Félix não considera pertinente para a sua empresa: prefere mesmo fechar portas, do que contrair um empréstimo. “Não sabemos se vamos conseguir liquidar o empréstimo, no futuro, portanto não considero uma boa medida”, afirmando que durante alguns meses as empresas não vão aguentar.

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