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“Aumentamos para o dobro a produção de camas hospitalares”

Entrevista em abril de 2020

A IMO duplicou a produção de camas hospitalares devido à pandemia de Covid-19. Esta empresa felgueirense, fundada há 74 anos, viu as encomendas destes equipamentos aumentar. Os clientes são de vários países do mundo. O SF conversou com André Sousa, um dos responsáveis, situada na Vila da Longra, cuja atividade está vocacionada para a produção de móveis hospitalares.

A pandemia de Covid-19 levou a uma maior procura de camas hospitalares?
Sim, duplicamos a produção de camas hospitalares. Desde o final de março até agora, estamos a produzir 35 camas e 10 macas por dia. A previsão é que esta tendência se mantenha também no mês de maio.

De onde são os clientes?
São de todo o mundo. Exportamos cerca de 70% da nossa produção. Temos clientes na Europa em geral, especialmente de Inglaterra, Espanha e Polónia, mas também de Marrocos, outros países do norte de África, e do Médio Oriente.

E de Portugal?
Também. Houve um aumento de encomendas nacionais, mas não tanto
como esperávamos. Talvez porque a situação da pandemia não atingiu valores exponenciais como noutros países.

Depreende-se que as encomendas devem ser urgentes?
Sim, são. As encomendas são muito urgentes. A situação da pandemia
levou a que isso acontecesse. A urgência dos equipamentos que nos pedem é grande e tivemos de dar resposta. Como percebemos, é nesta altura que as camas estão a ser necessárias nos hospitais.

A IMO está a ter alguma dificuldade na produção?
Como é normal há algumas dificuldades porque duplicamos a produção,
mas apesar disso estamos a dar resposta às encomendas. Componentes
como o aço e plásticos são mais fáceis de encontrar nos fornecedores.
Há dificuldades maiores no que concerne aos motores e rodas que são produzidos na Alemanha e Dinamarca. Daqui a uma semana, estes componentes podem faltar. Não nos dão previsão de entrega.

Isso deve-se ao aumento da procura destes componentes a nível mundial?
Sim, é um facto. Há três ou quatro grandes ‘Players’ a nível mundial que açambarcam a produção destas peças de camas hospitalares. A nossa dimensão é pequena em relação
a estes grandes fabricantes.

De que países são?
São empresas americanas, do Canadá e da República Checa, embora com capitais alemães. Estamos a falar de negócios de biliões de dólares, uma dimensão
que, como é óbvio, não temos.

A IMO produz há muitos anos mobiliário hospitalar. Como foram os tempos
mais recentes antes da pandemia?

As duas últimas décadas não foram as melhores para o nosso ramo de
atividade. Houve um grande desinvestimento no mobiliário hospitalar
por parte do Serviço Nacional de Saúde. Isso notou-se especialmente nos últimos 10 anos.

Isto significa que os hospitais portugueses não estão bem equipados a
este nível?

Em termos gerais, posso dizer que os hospitais têm mobiliário obsoleto e
cheio de problemas. Disso não há dúvidas. Nos últimos anos, registamos um decréscimo considerável de vendas destes equipamentos em Portugal.

Que perspetiva para o futuro imediato após a pandemia?
Penso que o futuro não será bom para ninguém. Quanto a nós, este é um ciclo e os ciclos superaram-se e passam. Vamos ver, como será.

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