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Política do Medo

Em Felgueiras e no país, vivemos tempos que não são de agora. O rebanho sempre odiou ter uma ovelha negra. As nossas queridas ovelhas não se importam de ter um irmão com uma pigmentação diferente, mas nós humanos sempre associamos superstições às inocentes ovelhas. Na política local acontece que “ou estas comigo, ou estás contra mim”. Esta é a tal superstição associada à ovelha negra, que por ser negra “estás contra mim”.

Na política local, vende-se o silêncio em troca de lugares públicos, intimida-se a comunicação social quando a mesma livremente dá destaque à oposição, cria-se batalhões de perfis falsos nas redes sociais para promover a cultura do medo e a persuasão das massas em torno de algo impróprio aos olhos da “opinião” pública. A crítica construtiva e reformadora deu lugar à figura do “politicamente correto”. Tenta-se a todo o custo, vencer eleições pelo o apelo à ignorância, à inocência, ao clubismo, e à camaradagem. Um cidadão que não esteja minimamente atento ou contextualizado, acabará por cair na ratoeira do populismo e vitimização. Não precisamos de ler jornais todos os dias – embora o devêssemos – não necessitamos de ser todos cidadãos ativos politicamente, não é saudável não confiar em todas as decisões políticas de quem foi eleito democraticamente, mas questionem-se quando o impulso de alinhar com o rebanho é maior do que entender o porquê da ovelha negra ser negra.

Ainda não fez um ano que tomei a decisão de me juntar à Iniciativa Liberal Felgueiras, que com muito empenho e coragem tem feito política de forma incisiva e construtiva. Para já, somos poucos, mas somos bons. Os meus parabéns ao grupo de trabalho, nunca me senti tão bem representado na terra onde cresci, e me senti livre para ser o quisesse. O leitor, principalmente mais conservador, pode estar confuso quando percebe que este novo partido tem “liberal” no nome. Por sua vez, para mim ser liberal não está só conectado a gostos e preferências, está idem ligado a uma cultura de meritocracia, generosidade, justiça e igualdade de oportunidades. Qualidades de uma sociedade democrática não socialista que qualquer conservador que se preze, certamente, apreciará. No entanto, caro leitor, pode não concordar comigo, mas prefiro ser leal às minhas convicções do que alinhar na política do medo, que se tem dissipado em Felgueiras. Não julgo as pessoas quando, por vezes, comentam “se tivesses um negócio em Felgueiras, já tinhas sido avisado” ou que “qualquer dia ainda te batem”, ou ainda que “eles já devem saber onde tu moras e o que fazes, tem cuidado”. Essas pessoas, minhas amigas, a quem lhes agradeço imenso honestamente a preocupação, são elas uma amostra dos efeitos secundários da política do medo. Classifico-os como secundários, porque embora numa primeira fase a podemos desdenhar, ficamos marcados psicologicamente pelos seus efeitos. Só os mais fortes têm capacidade de evitar os efeitos secundários, e pessoalmente, aprecio as pessoas que são fortes com os fortes, e não fortes com os fracos, acabando estas últimas de por osmose tornarem-se fracos.

A minha família tem raízes muito humildes, os meus avôs sustentavam-se do que o campo lhes davam, não sabiam ler ou escrever, mas tinham uma capacidade de amar muito grande, de lutar incondicionalmente pela vida, pelos filhos e netos. Cresci livremente entre o campo e a indústria do calçado, conheço as tristezas e alegrias de um agricultor ou sapateiro. Vivi muito perto dessa realidade. Uma realidade que me ensinou a não me vergar, a lutar por aquilo que acredito que é o mais justo. Uma realidade que nunca me disse o que podia ser, mas sim aquilo que não deveria ser. É por todos aqueles que já partiram, e pelo os que cá ainda estão, que não alinho na política do medo. Um pouco sensibilizado, escrevi este último parágrafo, sinal de que o sentimento é genuíno e intemporal. Esta é para mim, a definição de amar condicionalmente, a melhor herança que poderia ter dos meus avós.

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