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Grande entrevista: Armindo Soares Teixeira

“Sinto-me realizado. Fiz tudo o que queria na vida”.

“Queria aprender tudo, queria fazer tudo”.  Aos 82 anos, Armindo Soares Teixeira resume numa frase o espírito empreendedor que o acompanhou na sua longa vida profissional. Industrial de serralharia, da borracha, empresário do ramo imobiliário e da construção civil, deixou a sua marca no concelho, embora de forma discreta. Nasceu no Lugar de Lamelas, em Sendim, numa família de quatro filhos, onde frequentou a escola primária. Mais tarde, prosseguiu o contacto com as primeiras letras em Godim, na freguesia vizinha de Jugueiros. De origem humilde, teve o primeiro contacto com o mundo do trabalho aos 14 anos. “Fui tirar areia do Rio, em Jugueiros”, lembra Armindo Soares Teixeira, recordando que a jorna rendia sete escudos por dia. Mas, este não era o futuro que queria. A serralharia do “Mestre” Firmino da Costa Leite, um homem com métodos de trabalho avançados para a época, era onde Armindo Soares Teixeira queria aprender a arte de serralharia. “Toda a gente da minha altura aprendeu com o Sr. Firmino, era um grande homem, com quem aprendi muito”. Seguiu-se a Metalúrgica da Longra, uma unidade industrial de referência. “Nesta empresa, a minha intenção era aprender a arte de serralheiro mecânico. Tinha de saber de tudo e isto era muito importante”.

Passou pela unidade de Belmiro Ferreira (antigo dono da Casa das Torres e que foi mais tarde sócio da Fábrica da Bouça), pela empresa de Albano Antunes, de Fafe, a Estação de Serviço Aral, no Alto da Lixa, e pela Ferfor, outra unidade de grande dimensão do ramo da metalúrgica. “O meu objetivo foi sempre aprender tudo o que pudesse para me estabelecer por conta própria. E foi o que fiz, mais tarde”, revela. Começou a fazer reparações em máquinas industriais. Foi o primeiro passo para uma longa caminhada neste setor de atividade. Meteu-se à estrada à procura de clientes e encomendas. “Fui por esse mundo abaixo à procura de trabalho”, disse.

Armindo Soares Teixeira e a sua filha

Um dia, um amigo apresentou-o ao empresário da cortiça Américo Amorim. Foi uma momento chave para o futuro deste felgueirense. “Américo Amorim perguntou-me: o que é que faz? Respondi: tudo o que o senhor precisar!”. A resposta caiu bem. Era de homens com esta determinação que agradavam ao líder mundial da cortiça.

“Devo tudo que sou ao Senhor Firmino. Era um homem formidável”.

Armindo Soares Teixeira iniciava, assim, uma relação de trabalho duradoura com o empresário, produzindo máquinas da empresa que, entretanto, criara, a Cimag, para um dos mais respeitados agentes económicos do país. “Américo Amorim tornou-se o meu principal cliente e era um bom amigo, um homem de grande inteligência, respeitador. “Encomendava as máquinas, mandava-me avançar e depois apresentar a conta, confiava no meu trabalho”, conta emocionado. Na primeira encomenda, para o grupo de Américo Amorim, a máquina estava impecavelmente bem feita, mas o automático não funcionou. “Disse-lhe de imediato: desculpe o que aconteceu, mas foi um funcionário que pôs um automático que não é novo, mas vou substituir já, porque tem de funcionar tudo como deve ser”, relatou.

Fotografia de Armindo Soares Teixeira no escritório da fábrica

Armindo Soares Teixeira não se deu por satisfeito apenas no ramo da serralharia e decidiu alargar a sua “veia empreendedora” a outras áreas. Criou uma empresa de borracha, a Guiarco, nos anos 80, onde muitos dos atuais industriais do setor das solas colheram ensinamentos e avançaram para a criação das suas próprias empresas como a Bolflex, Exporsola, Teco, Atlanta, entre outras. “Aqui aprendeu muita gente a trabalhar. Foi uma escola. Muitos dos que passaram pela fábrica criaram as suas empresas e estão aí no mercado”. “Todos começaram aqui, tudo nasceu aqui”, refere

A imobiliária foi o passo seguinte. O primeiro negócio foi a aquisição do Convento de Alpendorada, um espaço “com 15 quintas lá dentro”, explica. Da imobiliária, Armindo Soares Teixeira, apostou na construção civil, onde se notabilizou. Numa sociedade fundada com vários empresários locais, surgiu a “Socofel” que construiu o Edifício Orion, o primeiro “arranha céus” da cidade na “avenida tomba presidentes”. Esta expressão resulta do “sonho” que consistia em abrir uma nova artéria que tivesse continuidade com o Jardim da Praça da República. Sempre que um presidente de Câmara encetava contactos para negociar terrenos, fracassava. O “Orion” tornou-se um edifício emblemático, com quatro pisos, 2.000 m2 de área comercial, edifício marcante de Felgueiras que tem a marca de Armindo Soares Teixeira, e que fica assim ligado à própria construção da cidade. Este empreendimento abriu caminho para outros, que estariam na origem do surgimento de “uma cidade nova”, na década de 80 do século passado em plena “avenida”.

O Edifício Orion, o primeiro
“arranha céus” da cidade foi um
dos projetos que teve o cunho
de Armindo Soares Teixeira, na
sociedade “Socofel”.
O “Orion” daria origem a uma
zona nova na cidade de Felgueiras,
na Avenida Dr. Leonardo
Coimbra, que rapidamente se
assumiu como uma das mais
emblemáticas de Felgueiras.

Outro empreendimento de envergadura foi o Edifício Império (frente ao Modelo), tal como o Impacto (perto da Casa das Artes) e a Zona Industrialde Barrosas, entre outros projetos.

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