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António Moura Guedes sócio-gerente da Triple Marfel

“O meu pai foi a alma da Triple Marfel”

António Moura Guedes, tem 63 anos, é administrador da Triple Marfel e recebeu o Semanário de Felgueiras nas suas instalações para falar sobre esta empresa, com 74 anos de atividade. O sócio-gerente partilhou a sua visão sobre as maiores dificuldades
do setor e falou ainda sobre o percurso do seu pai, de igual nome, António Moura
Guedes, para quem reclama o estatuto de grande impulsionador da expansão da Triple Marfel. Recorda-o com admiração e assume que se “considera muito parecido”.
O atual responsável pela empresa que alberga cerca de 200 trabalhadores e com
uma marca reconhecida internacionalmente, de forma frontal expõe que chegaram
à terceira geração devido ao trabalho que tem sido executado, sobretudo nos últimos
7 anos, com a sua chegada definitiva.

António Moura Guedes

Numa sala de reunião, começamos por reparar nas várias camisas expostas.
Lançamos a questão: São para venda?

Abortamos a venda ao público durante um período, por respeito aos clientes e pelo comércio. Mas senti que não tiveram a mesma atitude connosco. Começamos a sentir que qualquer material, desde que fosse barato, é que importava. A qualidade deixou de ser
regra. Todas as fábricas têm venda ao público e eu encerrei isso em prol do comércio. O que fazia às camisas com um pequeno defeito, que mal se nota? Fabrico 1300 camisas por dia. Se os clientes me preferem trocar por outras marcas, então vou vender a minha marca. Se não vende cá, vende no estrangeiro e se não vende no estrangeiro, vende no edifício da Triple Marfel. Inclusive vendemos com um preço super especial, para os nossos trabalhadores. Vamos fazer uma loja em condições, brevemente. Refira-se que é uma fábrica com muitos anos e os que passaram por aqui, pouco ou nada fizeram na sua requalificação. Tenho feito algumas coisas e não faço mais porque a nível financeiro devo-me acautelar. Se essas coisas tivessem sido feitas noutros tempos, hoje conseguia-se olhar o futuro. Os antecessores só olhavam ao presente e deixaram as coisas estar. Fizemos, no ano passado, um investimento interessante, com uns valores elevados, porque temos que pensar no futuro. Logicamente ninguém esperava esta situação, mas nós temos pessoas a trabalhar de excelência, que considero da minha família, porque sem eles não vou a lado nenhum. Cumpro os meus deveres, com todas as entidades e com o pessoal.

Qual é a situação atual da empresa, dado que estamos perante uma pandemia?
Estávamos a projetar um futuro. As coisas estavam a correr muito bem na indústria de calçado e do têxtil. Fomos apanhados nesta situação inesperada que nos atrapalha. Estamos com 50% de trabalhadores em Lay-off porque não temos encomendas suficientes. Vamos cumprindo os nossos deveres com os nossos clientes. Não com todos porque muitos fecharam portas, tanto a nível nacional como no estrangeiro. Uns faliram e outros não vendem. Fiquei com encomendas e tecidos pagos, dentro de portas. Tenho milhares de euros, cuja mercadoria não seguiu, nem vai seguir. Não sei o que vai acontecer. Isto agitou a tesouraria, a produção e mesmo o pessoal. Tudo isso é um panorama negativo. Logicamente ainda não deitei a toalha ao chão, mas estou bastante apreensivo com o futuro que é já amanhã. Dou um exemplo: clientes muto bons que trabalham connosco há dezenas de anos, sobretudo estrangeiros, mas também nacionais, faliram e deixaram-nos pendurados.

O que tem sido feito para combater essa crise? Fui para o terreno negociar várias soluções, sabe deus como. Embora as
produções tenham baixado, todos os que aqui laboram estão empenhados
em dar continuidade. Se as coisas continuarem neste estado, nem que seja
num prazo curto, não haverá milagres.

Fábrica da Triple Marfel em 1968

A nível de vendas, qual é o principal mercado: interno ou externo?
Atualmente temos uma cota de mercado externo na ordem dos 80%. O mercado interno é um desastre pela concorrência desonesta. As pessoas não olham para a qualidade dos produtos. O nosso problema é que as camisas duram muito tempo. Problema que considero positivo. As pessoas, por problemas financeiros, talvez, optam por comprar camisas a
preços baixos, sem qualidade. Também conseguia manter preços baixos e a mesma qualidade alta, mas tinha que deixar de pagar salários e impostos. Esse nunca foi o tema da casa. Trabalham aqui cerca de 200 pessoas diariamente, a quem tenho cumprido rigorosamente os meus deveres. Somos credíveis em muito lado, felizmente. Esse é o verdadeiro tema da Triple Marfel… atual… Isso é um assunto com poucos anos.

“O nosso problema é que
as camisas duram muito
tempo. Problema que
considero positivo”

Porque é um assunto com poucos anos?
Esta mudança estratégica tem entre 6 a 7 anos, com a minha entrada aqui. Não me apercebi bem a lástima em que se encontrava esta empresa, a nível de projeção futura. Hoje a Triple Marfel é mais reconhecida a nível internacional que nacional porque fiz as malas e fui por aí fora. Os nossos clientes atuais e sobretudo os novos, são resultado de um trabalho no estrangeiro, que fiz exaustivamente. Visitamo-nos mutuamente para manter ligações. Dizem várias vezes, através das redes sociais e de e-mails, que somos a melhor fábrica do mundo a produzir camisas. Talvez não sejamos, mas temos uma história por trás sempre focados na qualidade do nosso produto. Fui para o estrangeiro e em menos de 7 anos os resultados estão aí. Custou tempo e dinheiro, mas arrisquei. Levei comigo um staff, com 4 comerciais de mercado externo que nunca tinham saído daqui. Alguns deles nem a Lisboa sabiam ir. Amarravam-se aqui dentro e estou a pagar a fatura disso. O meu pai, António Guedes, sempre foi uma pessoa que viajou e andou muito lá por fora, enquanto outros se acomodavam e acomodaram os que cá estão. É essa a fatura que eu pago.

Numa das viagens de negócios protagonizadas por António Moura Guedes (filho) pediu a um artesão nigeriano que fizesse uma réplica em madeira, de uma camisa da Triple Marfel. A peça foi concretizada em 10 minutos.

Como é que o seu pai António Moura Guedes chega à administração da Triple Marfel?
O meu pai chegou à administração da Triple Marfel nos anos 50. Ele foi convidado pelo seu fundador, o senhor João Carvalho, também criador da Autoviação Landim. Foi comercial
e a obra está aqui e é bem visível. A dada altura o meu pai convidou um amigo para trabalhar com ele, seu colega de estudos no Seminário, o senhor Horácio Reis. Na época, a
fábrica ainda era nos Carvalhinhos e, entretanto, vieram outros sócios-gerentes. Como estava sempre fora não conseguia fazer tudo e convidou mais dois amigos, pelo menos. Todos aprenderam aqui. A escola deles foi este empreendimento. Foi aqui que tiveram tudo… O que não tiveram foi coragem de investir na empresa um pouco do que ganharam, como conhecimento, dinheiro, experiência de vida… infelizmente cheguei tarde, mas cá estou. Nenhum familiar, de todos os sócios que por aqui passaram, quiseram andar com este projeto. Mesmo assim considerei que valia a pena. Devo isso ao meu pai,
porque sempre me animou bastante a trabalhar neste empreendimento, embora a minha presença nem sempre agradasse a alguns que já andavam por cá. Neste momento estou a fazer o contrário do que foi feito: Invisto. O meu pai esteve na Triple Marfel até aos anos 90, quando viria a falecer.

“O meu pai foi um empreendedor,
viajou por todo o mundo e trazia
resultados”

Referiu que o seu pai esteve na Triple Marfel até aos anos 90. Como assume
a liderança da empresa e em que contexto?

O meu pai pediu-me muito para vir. Numa determinada fase de vida acompanhei-
o em certas viagens e em certos negócios. Refira-se que já tinha uma cota, ou seja já era sócio gerente, mas não estava no ativo. Depois de o meu pai falecer
falei com toda a gente e entendi que ninguém queria dar continuidade. Quer dizer…
todos queriam a Triple Marfel para ser sócio-gerente. Seríamos 19 e isso é
impossível. Foi um pedido dele… Eu, os meus irmãos e irmãs, temos vaidade em
pertencer à Triple Marfel. Sinto-o, quando chego lá fora e identifico a empresa.
Faz parte da venda comercial do produto. Ser um industrial neste país, hoje em
dia é um desafio muito grande. Como sempre fui de enfrentar as coisas, cá estou.
Acabei por fiquei sozinho, apesar de ainda existir dois sócios que não estão no
ativo, netos do senhor Horácio Reis. Entretanto convidei a minha mulher, porque
isto é um barco grande, e os meus filhos. A empresa vai na terceira geração
da família Moura Guedes. Não é dos restantes ex-sócios, é da minha família.

Aquilo que se entende é que desde o tempo do seu pai, passando por
si, até aos seus filhos, há uma linha de continuidade e de investimento e projeção da marca?

Logicamente que a marca tem o seu valor, mas nos dias que correm há mais marcas que fabricantes. Claro que protejo muito a Triple Marfel, até porque, a forma como tenho de
me apresentar é com o produto, devido à qualidade das camisas, ao design, a forma de as vestir, a moda e depois a marca. Se vendo a marca no estrangeiro significa algo. Logicamente que os tempos mudaram e hoje em dia qualquer pequeno negócio
quer ter uma marca própria.

Ao longo do seu discurso revela que sente que a família Moura Guedes foi tirada um pouco da história ou não foi tão reconhecida. A empresa foi mais associada a outros nomes?
Sim, sempre foi. Porque o meu pai andava muito na rua. Quer a nível nacional, quer internacional. Viajava muito para fora, sem falar outras
línguas, além do português. Ainda hoje, em Inglaterra se fala no António
Guedes. Como ele trabalhava muito lá fora e era conhecido por lá, aqui dentro esperavam-se pelos resultados dele. Em contrapartida, focavam-se muito na vida privada dele. A ideia
que passou é que todos eram corretos, menos ele, no que toca a questões
pessoais. Não sei se terá sido mesmo assim. A família Moura Guedes
é muito grande e muito conhecida a nível nacional acabando por ser mencionada
por aspetos mais negativos. O meu pai trabalhava e trazia resultados.
A família Moura Guedes nunca esteve muito ligada a Felgueiras porque outros assim quiseram… Mas não me chateio com isso… fomos pessoas com muita experiência de
vida, no Porto, Guimarães, Lisboa, Setúbal…Coisa que outos não têm.

“O meu pai
nasceu na Casa
do Diabo em
Moure. Por isso
dizem que não
temos medo a
nada…”

Com 74 anos de existência.
a Triple Marfel tem uma rica
história. Alguns dos elementos
materiais estão expostos
na entrada da empresa.

“Eu e o meu pai nunca viajámos no
mesmo avião”

O seu pai era a definição de empreendedorismo?
Sem dúvida. Teve muitas tromboses, mas nem assim ele parava.
Teve um dos primeiros carros automáticos em Felgueiras. Conduzia
com a mão direita, não parava. Em qualquer parte do país e no mundo falava-se no António Moura Guedes. Em relação à empresa, ele conhece-se. O resto não se conhece.

Não acha que está relacionado com o facto de não se darem muito a conhecer em Felgueiras?
Não. Havia famílias muito ligadas à igreja, com idas à missa todos os dias.
Não sei o que iam lá fazer. Pelo que vi e conheci enganaram-se nas crenças. Eu nunca fui ligado ao mediatismo. Não me envolvi na política, futebol, cafés. Mas quando algo corria mal, era sempre o Moura Guedes a pagar a fatura. Mas como temos costas largas…

Sente uma certa mágoa?
Sinto, porque as pessoas tentam dar esquecimento a quem fez tudo por
elas. Neste caso, ao meu pai. Deve-se muito a ele, quer na Triple Marfel quer
nas empresas de camionagem como a Cabanelas, a Celoricense, na Pereira Meireles. Noutras… Tudo isso foi o meu pai. Aí, eu e o meu pai resolvemos muitas situações. Se assim não fosse a Triple Marfel já não existia.

Pouco tempo antes de
falecer, António Moura
Guedes (na fotografia ao
lado) pediu ao filho para
dar continuidade à Triple
Marfel. O empresário tinha
uma grande paixão pela
empresa, tal como pelas
outras por onde passou
e deixou a sua marca
pessoal.

Mas porquê? Sente que há ingratidão?
Sim. Pelo meu pai há, sem dúvida. Há ingratidão com a família Moura Guedes.
O meu pai não olhava a tostões, ele procurava negócios de milhares. Ainda hoje pagamos por erros que foram cometidos e às vezes com juros.
Pelo menos, ao contrário de outros, sempre soubemos o que queríamos e o que não queríamos. As pessoas não reconhecem os erros das famílias e se os reconhecem tentam passar a mensagem errada ou que foram empreendedores.
Se aprenderam algo foi na Marfel, com o meu pai e com o Senhor João Carvalho, uma verdadeira escola. As pessoas deviam ser mais humildes. Nascemos da mesma forma e vamos morrer de igual forma. O resto é só uma questão de tempo.

Como descreve o seu pai?
Foi uma pessoa muito trabalhadora, com muito conhecimento a nível nacional e internacional. Se não deu mais foi porque teve muitas tromboses
e algumas vezes ele não tinha capacidade física para viajar, mas realço que chegou a viajar de bengala e até com o braço paralisado. Ele cometeu erros, como toda a gente comete
e não o julgo. Qualquer industrial neste país conhece os Moura Guedes e também porque continuo a andar cá fora, como ele fazia. Os meus visavôs eram naturais da Régua, no
Douro. Há duas famílias Moura Guedes. Uma de Torres Vedras que é a da jornalista Manuela Moura Guedes. Somos primos afastados. Houve também um deputado do PSD nosso familiar. Os de cá pertencem à família da Régua. Muitas vezes pago a
fatura, por ser Moura Guedes, pela negativa. Acontece associarem-me à
jornalista Manuela Moura Guedes, por ser revolucionária (no bom sentido), porque somos muito conhecidos e porque nos associam à Triple Marfel, pela minha pessoa. Há uma
conotação de que devemos ser ricos. Perco muito por causa disso. Traz as suas vantagens e desvantagens. O meu pai nasceu na Casa do Diabo, em Moure. Por algum motivo se
chama assim, aquele local. Significa que não temos medo a nada. Todos tinham medo de passar naquela casa, inclusive eu, e sei que ele nasceu lá. Deve ter vivido lá pouco tempo. Eu nasci na Água Nova, perto de Cemitério de Margaride, e anos mais tarde, os meus pais foram viver para Várzea.

António Moura Guedes (pai)

Um momento, sobre o seu pai, que o tivesse marcado?
Nós viajamos bastantes vezes, mas nunca viajávamos no mesmo avião. Morrer os dois era complicado. Um viajava de manhã e outro à tarde. Normalmente eu ia
primeiro, porque já tinha muito traquejo, uma vez que vivi fora do país.

Porque decidiu dar continuidade a este negócio?
Pouco tempo antes do meu pai falecer, pediu-me para dar continuidade
a este negócio. Ele adorava a Marfel. Como adorava as empresas todas por onde passou. Umas não deram, outras deram…

Pelo que refere, o seu pai era a alma da Marfel?
O meu pai era a alma da Marfel. E mesmo o senhor João Carvalho foi muito importante mas o meu pai teve um enorme contributo. O meu pai sempre foi discreto e falava com
todo o tipo de pessoas. Gostavam dele por isso. Não deixava para amanhã o que podia resolver hoje e dava a cara. Com dinheiro, sem dinheiro. Nos últimos tempos de vida, já
dependia de mim mais um bocadinho. A mobilidade não era a melhor.

Camisa que a mulher gosta porque é fácil de lavar e passar a ferro.

“O meu pai foi
das primeiras
pessoas a ter
um carro de
mudanças
automáticas
em Felgueiras”

Qual é o segredo das camisas da Marfel?
Havia uma publicidade que dizia que todas as mulheres gostavam das nossas camisas porque era excelente para passar a ferro. Ainda hoje temos dessas camisas, que são feitas com dois materiais que permitem essa facilidade. As camisas de algodão não
são fáceis de passar e nós inserimos um material mais fácil. Produzimos
imensas. Secavam muito rápido também. Cerca de 80% da produção
era destinada ao mercado nacional. Mas hoje em dia há mais concorrência.
Crises, etc… Os clientes foram desaparecendo. Foram fechando
e, entretanto, apareceram as grandes superfícies comerciais. Já vendi para o El Corte Inglês nas Canárias e para Madrid. Aqui em Portugal já me informei, só que não compensa.
Grande parte dos resultados vai para a entidade vendedora. Ainda bem
que não o fiz. Seria um problema, com esta crise. Estou convencido que
a Marfel teria sucesso, mas os custos são muito elevados. Há estratégias que deviam ter sido tomadas há mais anos e não foram. Agora já não é fácil
devido à última crise e esta que estamos a viver vai deixar a ferida aberta.

E neste momento continuam a produzir camisas. Não produzem material hospitalar?
Estivemos a produzir batas, mas agora estamos a iniciar um projeto de produção de máscaras e batas reutilizáveis, para profissionais de saúde. Estamos a adaptar-nos às necessidades do mercado. Produzimos camisas, igualmente. O que se vê por aí são máscaras sem qualidade nenhuma, que não protegem. Não quisemos entrar por essa via, portanto certificamo-nos em Portugal, em França e na Alemanha, porque temos
que levar isto a sério. Não podemos andar a brincar com a saúde. A qualidade é uma prioridade para nós.

Uma mensagem que gostava que os felgueirenses lessem?
Gostava que tivessem orgulho pela empresa e por todos os seus trabalhadores.
Que se lembrem que esta empresa tem 74 anos de existência. Felgueiras não é só sapatos, pão-de-ló e vinho verde. Mas não há milagres. Já vai na terceira geração. Nós estamos
cá para isso. Se algum dia encerrar não será por gastos excessivos, da nossa parte, como outros fizeram. Gostava que tivessem orgulho. A Triple Marfel está em Felgueiras. Que não seja conhecida só por reta da Marfel.

“Vivi vários anos em
Inglaterra”

O que o levou a ir para Inglaterra?
Sempre que estava em período de férias ia para Inglaterra e trabalhava
por lá. Cheguei a trabalhar num restaurante italiano, muito requintado.
Servia às mesas, inclusive à aristocracia britânica. Era frequente os meus pais ficarem chateados porque eu fazia de tudo para ficar lá. Numa das vezes, estava a trabalhar e vi os meus pais a entrar no restaurante. Naquele espaço só entravam com marcação. Reparei que a mesa onde se sentaram não me competia. Pedi ao meu colega responsável para atender aquela mesa, ele aceitou mas não entendeu porquê. O meu pai queria ver
o que andava a fazer e fez-me uma surpresa. Servi-os com naturalidade
e no final recebi uma gorjeta de 50 libras. As gorjetas não ficavam para nós. Eram distribuídas no final, por todos. Custou-me um bocado.
(Disse em tom de brincadeira).


Mas porque decide ir trabalhar para fora?
Não gostava de estar dependente dos meus pais. Tive, inclusive outros trabalhos. Vivi no estrangeiro 8 anos. Saí de cá com 17 anos.

Qual o momento que mais o marcou por lá, para além da visita dos seus pais?
Recordo um aniversário surpresa, quando completei 21 anos. Como vivi sempre com famílias britânicas, achei aquele momento especial. Por lá distribuíamos tarefas. Só não
cozinhava. Uma vez ainda tentei mas aquilo não correu muito bem.

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