A nadadora felgueirense Francisca Martins, conquistou, em Agosto, a medalha de ouro nos 400 metros livres nos Jogos do Mediterrâneo 2026, realizados em Taranto (Itália)
A recompensa de anos de trabalho dedicado e metódico traduziu-se num objeto físico: “Traz-me muita, muita felicidade. E o sentimento de dever cumprido e de que as coisas estão a correr efetivamente bem e como estava planeado”, afirma a atleta sobre a conquista desta medalha em entrevista ao Semanário de Felgueiras.
Para a nadadora Francisca Martins, o feito representa a confirmação de que o planeamento traçado está a ser cumprido A vitória surge no fecho de uma época de grande evolução, na qual a nadadora bateu recordes nacionais nas duas provas que disputou — os 200 e os 400 metros livres —, além de ter fixado um novo recorde pessoal nos 800 metros livres.
O percurso ascendente já se tinha evidenciado no Campeonato Europeu de Natação, em Paris. Na capital francesa, apesar de ter terminado em quarto lugar, Francisca bateu o recorde nacional e realizou aquela que considera uma das melhores provas da sua carreira.
“Conseguir ir lá e fazer o meu melhor tempo pessoal, melhorando o record nacional, e ficar à porta das medalhas foi muito positivo. Estou mesmo muito feliz com esse resultado e nada desapontada com o quarto lugar”, realça, destacando o nível elevado da competição e desmistificando o eventual sentimento agridoce por ficar muito perto do pódio.
O dia da atleta do FOCA Quinta da Lixa começa antes das 6h00 da manhã, com o primeiro treino agendado para as 6h30. Segue-se a sessão de ginásio ao final da manhã, o almoço em Felgueiras na casa da avó e as aulas universitárias no período da tarde, em Braga, regressando à piscina por volta das 17h00 para treinar até às 19h30. Para além disso, a nadadora desloca-se frequentemente à Póvoa de Varzim para realizar treinos específicos. Uma rotina de disciplina que concilia com o compromisso da formação académica.
A jovem Francisca Martins, 23 anos, concluiu recentemente a licenciatura em Economia na Universidade do Minho em cinco anos, tendo que adaptar a duração do curso para gerir a exigência dos treinos, as deslocações e a necessidade de descanso. Neste novo ano letivo repara-se agora para ingressar no mestrado em Gestão e Negócios.
Para entendermos um pouco mais as exigências do desporto de alta competição, perguntamos à jovem universitária Francisca como gere a vida académica e o foco que o treino e prática desportiva exige, que, como nos conta, obriga a abdicar habitualmente da vida académica noturna e de festas universitárias, opção que aceita com tranquilidade.
“É uma coisa que eu aceito e que na verdade não sinto muita falta”, explica, destacando a proximidade com o seu grupo de amigos de infância oriundos da natação.
Vou trabalhar para ser melhor e espero que isso se traduza num resultado como esse, mas sem pressão absolutamente nenhuma”
Na alta competição, o fator psicológico também assume um papel determinante e a atleta parece saber muito bem disso. Francisca Martins revela que faz acompanhamento psicológico regular para gerir a ansiedade pré-competitiva, o que lhe permite abordar as provas com responsabilidade e descontração: “A saúde mental é muito importante. Tenho consultas de psicologia regularmente que me ajudaram a chegar a este nível de descontração e ao mesmo tempo de compromisso”.
Em Felgueiras, a atleta dispõe apenas de uma piscina de 25 metros, o que a obriga a deslocar-se à Póvoa de Varzim ou a realizar estágios no estrangeiro para treinar em piscinas olímpicas de 50 metros, onde decorrem as grandes provas internacionais.
“Existem apostas mais expressivas noutras modalidades, que justificam por comportar mais retorno imediato e financeiro, comparativamente com a natação, ainda com poucos apoios e restrito investimento e isso condiciona muitas vezes as condições, sejam de treino, seja de apoios públicos e de patrocinadores, seja de melhores infraestruturas”, sublinha, notando a falta de investimento e de apoios comparativamente a outros países e a modalidades como o futebol, mesmo constatando-se a evolução recente da natação portuguesa e o aumento na conquista de medalhas.




Olhando para o futuro, Francisca Martins aponta aos Mundiais de Natação e aos Jogos Mundiais Universitários na próxima época, onde ambiciona lutar por finais e medalhas.
“Vou trabalhar para ser melhor e espero que isso se traduza num resultado como esse, mas sem pressão absolutamente nenhuma”, assevera.
No horizonte a dois anos, o grande objetivo passa por obter os mínimos de qualificação para os Jogos Olímpicos.
Apesar da projeção internacional, a atleta mantém uma relação muito próxima com a sua terra natal, Felgueiras, onde aprecia viver e sentir o apoio dos seus conterrâneos.
“Gosto mesmo muito de viver aqui, de trazer estas conquistas para Felgueiras e principalmente gosto das pessoas, o carinho que sinto”, conclui.




