A Casa Rosa Sousa, no coração da cidade de Felgueiras, é muito mais do que um estabelecimento comercial: é um verdadeiro santuário de sabores que une o rigor artesanal do passado às mais modernas exigências tecnológicas do presente, que a fazem chegar cada vez mais longe e a mais palatos.
À frente deste projeto de sucesso está José Mário Sousa, o “Zé Mário”, um empresário que soube honrar o passado, sem nunca perder de vista o futuro.
De 1974 ao Futuro: O Crescimento de um Legado Familiar
A história da empresa, que o SEMANÁRIO DE FELGUEIRAS foi conhecer, remonta a 1974, ano em que foi fundada pelos pais de José Mário, figuras acarinhadas na região.
Num tempo em que a doçaria de festa se fazia com paciência e engenho manual, a atividade começou de forma modesta, num pequeno estabelecimento.
“Nós começámos por fazer pudins. A seguir aos pudins, como sobravam muitas claras, começámos a fazer molotofes”, recorda o empresário, lembrando com saudade os tempos em que a produção caseira abastecia banquetes e casamentos por toda a região.
Com uma mãe exímia pasteleira, formada por mestres de renome da hotelaria nacional, e um pai doceiro, autodidata, com o apoio da tia Mariazinha, a Casa Rosa Sousa rapidamente expandiu o seu leque de especialidades.
Aos pudins e molotofes, juntaram-se os ovos moles, as tartes de cenoura e amêndoa e os emblemáticos bolos de casamento, comunhão e batizado.
“Até final da década de 80, eu acho que a minha mãe fez os bolos de casamento de grande parte das pessoas aqui de Felgueiras!”, confessa Zé Mário, com orgulho.
A transição para a liderança da empresa aconteceu cedo. Com apenas 17 anos e o pai doente durante alguns, José Mário viu-se obrigado a deixar os estudos e entrar no negócio.
Munido de uma carrinha e de muita determinação — numa altura em que “nem carta tinha” -, continuou o percurso trilhado pelos pais, cimentando relações comerciais sólidas com as melhores casas de gastronomia.


Tecnologia e tradição: O segredo da escala Industrial
Hoje, graças a um investimento recente, a Casa Rosa Sousa, além da bonita loja de venda ao público no coração da cidade, recentemente remodelada, dispõe de uma fábrica moderna, também em Felgueiras, com 280 metros quadrados. Aquelas instalações estão equipadas com todas as condições para produzir em escala, com “rigorosos padrões de higiene e acondicionamento em frigoríficos de última geração”, contou à nossa reportagem.
O empresário falava numa pequena visita guiada ao espaço, onde diariamente trabalham várias senhoras, algumas há muitos anos, guardiãs de tantos segredos adocicados…
No entanto, acentuou o empresário felgueirense, o espírito artesanal mantém-se.
“Nós temos os produtos que só queremos fazer para vender na nossa loja, como o pão de ló e as cavacas. Não nos interessa vender para muitos sítios. Mas temos outros produtos, como os molotofes e os pudins, onde queremos apostar forte em grande escala”, explica.
Esta dualidade, acentuou, permite à empresa produzir diariamente centenas de pudins e abastecer cerca de 200 restaurantes de entre Douro e Minho e no grande Porto, marcando presença em grandes superfícies no norte do país, nomeadamente nos grupos Auchan, Intermarché e E.Leclerc, entre outros clientes.
O famoso pão de ló, fiel à receita tradicional de Margaride, com ovos, farinha e açúcar, continua a ser o produto mais procurado, a par das cavacas recheadas com queijo da serra, uma inovação premiada que atrai visitantes de todo o país.
Ao longo das últimas décadas, a casa conquistou distinções de prestígio, destacando-se os prémios conquistados no Concurso do Melhor Pudim Abade de Priscos e galardões de inovação alimentar.
Promover Felgueiras através do alojamento local

A visão empresarial de Zé Mário não se esgota na doçaria. Em 2018, a empresa apostou na criação de unidades de alojamento local.
Com suites modernas, confortáveis e localizadas num edifício histórico totalmente reabilitado no centro da cidade, o alojamento tem conquistado turistas dos cinco continentes, promovendo os costumes, os vinhos e as tradições de Felgueiras – aliás, um conceito premiado pela Associação Empresarial de Portugal.
“Os turistas gostam muito da nossa forma de receber e de provar tudo o que é de Felgueiras, os vinhos, os doces… Ficam muito agradados com o nosso saber receber”, sublinha José Mário Sousa.
A remodelação recente da loja principal, contou ao SEMANÁRIO DE FELGUEIRAS, já impulsionou as vendas em cerca de 20% em poucos meses, um espaço moderno que conjuga o tradicional com outras propostas de doçaria mais contemporânea e por onde passam diariamente dezenas de clientes, a maioria para encomendarem bolos para todo o tipo de festas, além dos turistas ansiosos por provarem o pão-de-ló de Margaride e as cavacas, doces tradicionais da terra.
Mas o futuro aponta para o reforço da presença dos produtos da Casa Rosa Sousa nas grandes superfícies comerciais e na restauração, potenciando a capacidade de produção proporcionada pela nova fábrica.
O empresário assinala, porém, que o foco será sempre na qualidade e no carinho com que se trata cada cliente.
Zé Mário diz, com aquele sorriso que todos lhe conhecem, quer continuar a provar que o sucesso se constrói com raízes profundas na sua terra e com os olhos postos no amanhã, proporcionando coisas doces aos seus clientes conterrâneos e visitantes…
Armindo Mendes




