Com nova ala de cuidados continuados, reforço nas valências médicas e duplicação da capacidade de reabilitação, a Misericórdia de Felgueiras projeta equipamento para uma dimensão de excelência nacional
O Hospital Agostinho Ribeiro, da Santa Casa da Misericórdia de Felgueiras, está a atravessar o maior ciclo de transformação e ampliação da sua história recente, com obras em vários setores, que vão quase duplicar a sua área total de construção e melhorar as condições para os utentes e profissionais.
A intervenção inclui um novo edificado, mas também remodelação do atual, que já data de 2011, que está a ser melhorado em termos de infraestrutura e apetrechado com novos equipamentos, num investimento de cerca de 1,2 milhões de euros.
Já o novo edifício, com uma arquitetura elogiada pela sua sobriedade e enquadramento, é acrescentado ao complexo hospitalar, permitindo acomodar o aumento da capacidade em várias áreas.

Numa conversa com o administrador Paulo Coelho foi possível retratar os contornos de um projeto que se propõe redefinir os cuidados de saúde prestados não apenas no concelho, mas em toda a região.
“Este já não é um hospital de concelho. Direi que este é um hospital, se quiser, regional ou até nacional, porque nós hoje estamos a intervencionar doentes provenientes do Algarve”, comentou, a propósito do reforço da capacidade.
O atual plano de expansão – explicou o dirigente – estruturou-se nas orientações do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com o qual o hospital mantém uma forte integração, representando cerca de 92% da sua atividade.
O responsável detalhou ao SEMANÁRIO DE FELGUEIRAS o ponto de partida da intervenção:
“Nós tínhamos algumas limitações dentro dos serviços que neste momento estão a funcionar, nomeadamente ao nível da medicina física e reabilitação”, justificação que esteve na base da necessidade de repensar e dimensionar toda a resposta estrutural do hospital frente ao crescimento da afluência diária da população.
Habituados a servir uma comunidade que recorre ao hospital por razões que vão desde consultas e exames a urgências, os utentes encontravam constrangimentos operacionais que exigiam uma resposta profunda, na análise de Paulo Coelho.






Cuidados Continuados com maior capacidade, atingindo as 124 camas
Entre as principais valências ampliadas destacam-se os cuidados continuados integrados, cuja capacidade passa das atuais 64 camas, com ocupação a 100% durante todo o ano, para um total de 124 camas, de diferentes tipologias articuladas com o SNS.
Consultas externas vão contar com mais gabinetes médicos
No âmbito das consultas externas, destaca-se a criação de uma nova ala que passará, quando concluída, a contar com 42 gabinetes médicos por especialidade (atualmente há 12), permitindo atrair novos profissionais e fixar respostas para corresponder à procura. Esse acréscimo de resposta afetará a área atualmente ocupada pela medicina física, a qual está a ser transferida para o novo edificado. As obras de remodelação para acomodar os novos gabinetes médicos deverão começar em breve.
Nova ala para internamento de cirurgia
A área cirúrgica também conheceu um impulso, com a criação de uma nova ala de internamento, com mais 20 camas de apoio à cirurgia — somando um total de 80 camas cirúrgicas e elevando a fasquia para cerca de 5.000 intervenções anuais —, além de uma sala dedicada a pequenas cirurgias de ambulatório, a criar na área da consulta externa.
No novo edifício (piso -1), também vão funcionar o novo laboratório de análises clínicas e o novo serviço de esterilização.
Por outro lado, o serviço de radiologia foi reforçado com a integração de um equipamento de ressonância magnética, muito necessário na região.
Medicina física e reabilitação duplica capacidade
No setor da medicina física e reabilitação – uma das maiores aposta nesta plano de ampliação – , a capacidade anterior limitava-se a 400 ou 500 pessoas por dia, sabendo-se de antemão que “era imperativo duplicar esse valor”. Com a nova infraestrutura, o serviço passa a ter capacidade para 1.200 doentes por dia.
Além disso, o projeto resolveu uma lacuna histórica na região ao criar uma estrutura dedicada à hidroterapia, evoluindo de um pequeno tanque limitado a duas ou três pessoas para um complexo dotado de dimensões significativamente superiores e ajustadas às necessidades reais.
Novo parque de estacionamento coberto
Ao nível da sustentabilidade e mobilidade, destaca-se a criação de um novo parque de estacionamento totalmente coberto com painéis fotovoltaicos, com capacidade para 240 lugares, ao abrigo de uma candidatura de eficiência energética, num investimento superior a um milhão de euros. Com esta aposta, a instituição também espera reduzir os custos energéticos de funcionamento do hospital.
O parque e o próprio hospital, no seu conjunto, passarão assim a ser servidos por uma nova entrada criada a partir do acesso a Santa Quitéria.
Mais 120 empregos
O impacto desta expansão do hospital no emprego e na economia local, prevê o administrador, será expressivo.
Atualmente, o hospital emprega cerca de 380 pessoas, prevendo-se a contratação de mais 120 a 130 colaboradores diretos, o que elevará o quadro para mais de 500 profissionais. Contabilizando os prestadores de serviços externos, observou Paulo Coelho, o ecossistema hospitalar mobilizará entre 750 a 800 pessoas.
Contudo, apontou o dedo a uma das maiores dificuldades do setor: a escassez de recursos humanos qualificados para recrutamento, nomeadamente enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de radiologia. Expressando as dificuldades sentidas na operação diária, Paulo Coelho exclamou: “Onde é que nós estamos com o maior problema? É exatamente na questão dos recursos humanos. Não há pessoal qualificado para trabalhar”.

Fundos Europeus só suportarão um terço dos custos
Em termos financeiros, o investimento global superior a 15 milhões de euros — que engloba a empreitada de construção e o apetrechamento tecnológico de gama alta — tem sido suportado essencialmente por capitais próprios da instituição, fruto, referiu Paulo Coelho, de “décadas de gestão rigorosa e equilibrada”.
Para a realização desta obra, a Misericórdia apresentou quatro candidaturas a fundos comunitários, divididas entre o PRR e o Portugal 2030.
Apesar das candidaturas, os apoios financeiros líquidos rondam apenas cerca de 5 milhões de euros, obrigando a instituição a assegurar a tesouraria e a pagar os investimentos antes de receber os reembolsos, numa dinâmica em que, segundo o administrador, “a gente para receber tem de comprovar que já pagou, mas não sabe quando vai receber”.
Paulo Coelho reiterou o compromisso de a Misericórdia de Felgueiras, enquanto entidade gestora, manter o Hospital Agostinho Ribeiro na “linha da frente da modernidade”, em áreas específicas onde aquele equipamento de saúde tem estado bem posicionado.
A concluir, recordou que a Misericórdia de Felgueiras dispõe ainda de cerca de 50 mil metros quadrados de terreno, dos 70 mil adquiridos em 2015, para possível ampliação das respostas, no futuro, tanto ao nível social, como no setor da saúde.
Armindo Mendes




