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No céu de Felgueiras

Artigo de opinião publicado na edição n.º 1502 do Semanário de Felgueiras de 14 de Agosto

Sendo que Junho e Julho foram meses muito importantes para a afirmação de Felgueiras, enquanto pólo deveras motivador nos domínios da oferta do entretenimento e da fruição musical, eis que já nos encontramos dentro do mês de Agosto, onde por motivos de férias, mas não só, tal como nos anos anteriores, voltamos a sentir ao mesmo tédio de sempre, principalmente nos espaços públicos, onde ano após ano pouco ou nada acontece, sendo por demais as vozes que se ouvem, afirmam e sublinham, que «Felgueiras é uma cidade deserta», não só em Agosto, mas principalmente aos fins de semana, por pouco ou nada ter mudado na nossa vida social na última década.  
Sendo que as Cidades e as Vilas do concelho não podem permanecer sempre em festa, será de enaltecer o esforço social e financeiro que o município tem feito ao longo dos anos, primeiro para emprestar às festas do concelho – o São Pedro – um brilho que antes não se via, e às Festas da Cidade – 13 de Julho – uma globalidade musical diversificada e marcante,  progressivamente em crescendo.  
Mas agora que já lá vão Junho e Julho, onde o número de actos festivos foram super-abundantes e de relevantes qualidades, importa salientar a beleza estética que o Parque Urbano da Bouça proporcionou ao desenrolar do vastíssimo programa social e musical que ali decorreu durante três semanas, num espaço  a talhe de foice  ora denominado por Praça das Artes.  
Tendo, com a sua frescura intrínseca, servido para um melhor acolhimento de todos aqueles e aquelas que diariamente peregrinaram em direcção  aos espectáculos que lhes foram oferecidos, a novel  Praça das Artes acabou por ganhar sublime certificação, sendo urgente e avisado prevenir desde já, para que futuramente não lhe aconteçam constantes agressões,  iguais ou semelhantes às que se verificam na Praça Dr. Machado de Matos.  
Numa altura em que, em Felgueiras, já não vemos desde há muito tempo a esta parte, nem pardais no céu, nem cigarras nas noites de verão, deveremos todos reconhecer que foram deveras magníficas as festas de Junho e Julho que no centro da cidade tantos felgueirenses juntou, não podendo tudo isto significar que, tão só por via disto, Felgueiras está melhor!  
Dar festa ao povo é um caminho profícuo para lhe proporcionar, contentamento, lazer, descontracção, alegria e prazer, desde que em termos de alinhamento para uma melhor qualidade da sua vida nunca lhes falte o essencial, quer nos domínios da Saúde, da Educação, do Social, dos Transportes, da Habitação e do Ambiente em geral, quer, também, desde que isso nunca aconteça, como parece ser o caso, em  formatos de mais que o necessário e a raiar inusitados desperdícios financeiros, mas, sobretudo, como também parece, manifestamente desproporcionado com a realidade.  
E dentro desta, sendo por demais evidente que o mais importante continua por  se conceber, adiado ou com falta de planeamento ou projecto, saibamos permanecer  
humildes para aceitarmos as carências com que nos defrontamos e a impotência política que nos continua a perseguir e a caracterizar, as quais nos têm impedido de poder dar cumprimento a metas mais ousadas e mais atractivas nos nossos progressos colectivos de desenvolvimento sustentado, recorrendo-se sistematicamente e em demasia à progressão de festas e festinhas, como ensaio para escamotear as nossas mais que reais incapacidades e insuficiências.  
E sendo que as mais das vezes tendemos a perder-nos dentro dos sinais miríficos de que algum crescimento económico tudo resolve, será de todo o interesse que não nos deixemos iludir pelo crescimento desordenado que se tem verificado, por ademais na cidade de Felgueiras, e um pouco por todo o concelho, e que sem desenvolvimento sustentado não só não será possível alcançar melhores níveis de qualidade de vida para todos, assim, como, tão pouco contribuirá para nos devolver os pardais que antes se viam no céu de Felgueiras, principalmente adentro e ao redor do Monte de Santa Quitéria, onde, numa clara agressão ao bom ambiente, a massificação de muitos pedaços de cimento passou a imperar.  
 
Texto escrito o anterior Acordo Ortográfico”                                                    
José Quintela

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