A Escola Secundária de Felgueiras (ESF) prepara-se para iniciar o ano letivo na linha da frente da inovação tecnológica em Portugal, segundo a sua diretora, Anabela Leal, em entrevista ao Semanário de Felgueiras.
Com a entrada em funcionamento do novo Centro Tecnológico Especializado (CTE) de Informática, a instituição, refere a responsável, torna-se a primeira do concelho a dispor desta valência e uma das pioneiras a nível nacional a arrancar em termos efetivos.
O projeto resulta de uma candidatura bem-sucedida ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e representou um investimento que ronda 1,1 milhões de euros.
Uma verba que, segundo a diretora da escola, foi absorvida na totalidade pela “aquisição de equipamento e mobiliário”, uma vez que o edificado da escola, intervencionado no passado pela Parque Escolar, já se encontrava ao nível “das melhores escolas da Europa”.
Seis laboratórios de última geração
O novo CTE estende-se por uma área específica da escola e é composto por nove salas de aula, organizadas em seis espaços laboratoriais diferenciados e altamente especializados: Tecnologias Digitais e Inteligência Artificial; Multimédia e Comunicação; Robótica e Manutenção; Laboratórios de Redes (incluindo um data center à escala escolar); Eletrónica e Circuitos (o chamado núcleo NEC)
“Os equipamentos estavam um bocadinho obsoletos nesta área tecnológica em que a mudança é tão repentina e é diária,” assume Anabela Leal, justificando a importância estratégica do investimento: “Não se ajustavam já às necessidades formativas e às necessidades do mercado.”
Alargamento da Oferta Formativa e Novas Competências
Com um histórico de 40 anos no ensino profissional de Informática — o primeiro curso arrancou em 1986 —, a Escola Secundária de Felgueiras assume agora o compromisso de alargar e qualificar a sua oferta educativa.
A par da continuidade do curso de Técnico de Multimédia, o funcionamento do CTE dita a introdução de dois novos cursos profissionais: Técnico de Desenvolvimento de Software e Técnico de Sistemas de Computação e Redes
Cada nova turma deverá acolher entre 24 a 28 alunos. A diretora acredita que a “enorme capacidade instalada a todos os níveis” funcionará como um “forte polo de atração para os estudantes da região de Felgueiras”.






O desafio da formação dos professores
A transição para este ecossistema tecnológico avançado exigiu também uma preparação do corpo docente. O grupo de Informática da ESF, que conta com cerca de 14 professores (dos quais pelo menos 10 dedicados à componente técnica), já concluiu formação específica para operar os novos equipamentos. Anabela Leal destaca que os professores “têm muito know-how, mas têm que estar em formação permanente”.
O processo de atualização, sinaliza, continuará em articulação com o Centro de Formação de Escolas de Lousada e Felgueiras, focando-se não só no uso das novas ferramentas, mas também em áreas emergentes como a Inteligência Artificial.
Impacto no Mercado de Trabalho e no Tecido Empresarial
O impacto do CTE ultrapassa os muros da escola, segundo Anabela Leal. Para a diretora, o investimento responde diretamente a uma necessidade nacional de valorização do ensino profissional e de dupla certificação (escolar e profissional de nível 4), sem nunca fechar as portas ao Ensino Superior.
A longo prazo, o Centro Tecnológico é visto como um motor de desenvolvimento para a economia local.
“A longo prazo, tem sido e vai continuar a ser uma oportunidade para o tecido empresarial da região. Espero que os alunos percebam a oportunidade que aqui têm, que é uma escolha acertada, e que manifestem isso nas escolhas que vão fazer já muito brevemente”, refere, com convicção.
O projeto, que começou a ser desenhado num período complexo de candidaturas em agosto de 2022, entra em funcionamento pleno no arranque deste ano letivo, posicionando Felgueiras no mapa da formação tecnológica qualificada do país, resume a diretora da ESF.
Armindo Mendes




