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Sonhos imperfeitos

Artigo de opinião publicado na edição n.º1501 do Semanário de Felgueiras

No princípio, tudo começou mal – desde as candidaturas de conveniências até ao apito final -, Tomada de Posse!

Sabendo todos nós, que a sobrevivência é um acto que se aprende, foi e é isso tudo o que se tem observado no âmago da candidatura vencedora.

Apesar de imensas juras de amor ao partido, o PS é tudo o que menos importa.

Por isso, no PS local, um incêndio florestal é o que está a acontecer.

Nestas areias movediças, as palavras são já o que menos importa, por, desde há algum tempo a esta parte, não se apresentarem, nem como necessárias, nem apropriadas para qualquer um dos protagonistas em confronto.

Do lado da lista vencedora – a “B” -, a vitória perece ser de Pirro, já que se mostrou manifestamente fragilizada no acto em que procurou tomar posse.

Daí, todo o encantamento evidenciado por quem ganhou apenas ter servido para sossegar alguns dos protagonistas do actual Poder Autárquico, permitindo-lhes antever o prosseguimento de uma capturação com contornos perenes.

Ter um “PS” permanentemente capturado por quem o não dirige é a cereja no bolo que alguns continuam a desejar para um mais que normal desenvolvimento dos seus sonhos políticos, pouco importando quaisquer outros valores. Daí o encosto, os inusitados ingressos e os forçados apoios desde muito cedo à lista ora vencedora.

Sendo já por demais os grupos em digladiação sobre o futuro autárquico no município local, o que agora mais interessa é, desde já, começar a contar as espingardas e quais as personalidades que irão ser escolhidas para as utilizar, ainda que sejam mais que muitos os que não saberão usá-las, bastando apenas que sejam desde já colocados nos sítios mais adequados para a sua manutenção, em nome e à espera dos futuros utilitários.

No entretanto, porventura ainda em estado de indisposição no que concerne aos resultados negativos obtidos, os componentes da outra lista, ao contrário de doarem contributos de unidade na perspectiva de uma nova eleição no futuro, e de muito mais procurarem fazer para darem condições de governabilidade a quem ganhou,  acabaram por se sitiar numa postura que cheira a boicote, não só não tomando posse – o que é péssimo em termos de perspectivação de combates futuros -, mas, sobretudo,  por terem contribuído para que a posse dos demais também não acontecesse, o que configura um erro crasso em matéria de objectivos partidários futuros.

Por conseguinte, uma realidade que já se afigurava difícil, pior ficou, depois das fragilidades vivenciadas aquando do Acto de Posse que, afinal, não se verificou.

Sendo que a lista vencedora – a”B” -, apenas se preocupou em agradar ao Poder Autárquico aquando do acto da sua feitura, não querendo, nem procurando, ajustar-se à realidade vigente dentro do universo dos militantes, é muito natural o que lhes acabou por acontecer, sendo por isso muito grande a humilhação vivenciada no dia em que se apresentaram para receberem a devida posse.

Pela minha longa vivência democrática, claro que não concordo com o procedimento dos componentes da lista “A“, mas tendo em conta o ego pessoal que alguns militantes do PS colocam na vida política partidária não posso deixar de compreender a observação política de uns tantos, a quem, com alguma veemência, já tenho ouvido dizer que: «FOI MUITO BEM FEITO

Sendo que no quadro de tanta areia movediça em que o PS local tem vivido nos últimos nove anos, é normal que haja quem pense que é tempo de se por um ponto final nas empreitadas pessoais que se têm conhecido, o que por agora passa por renovar a luz que  presentemente permanece opaca, a mesma que por certo assim continuará, pelo menos durante os próximos dois anos.

E não obstante a consideração geral dos componentes da lista “A” se situar no sentido de que a vitória da outra lista não vai servir para nada de novo, a verdade é que lhe é devido o benefício da dúvida, sendo por isso imperioso conceder-lhes quanto antes as condições para a tomada de posse,. em simultâneo com a mesma dos seus próprios componentes.

E não valendo essa confiança para efeitos de futuro – porque o Momento Não Será Seguramente Agora -, que um novo princípio de organização e acção partidária se comece desde já a redesenhar, na certeza de que tão só um novo sufrágio eleitoral dos militantes servirá para ditar os pressupostos de um melhor caminho para o futuro do PS local, contribuindo-se por essa via e de uma forma decisiva para que isso possa começar a acontecer.

E ademais, porque não sendo este o tempo adequado para quem quer que seja fruir de sonhos demasiadamente imperfeitos, só assim se compreende e certifica a democracia.

“Texto escrito segundo o anterior Acordo Ortográfico”               

José Quintela

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