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Liberdade com raízes

Artigo de opinião publicado na edição 1501 de 24 de Julho de 2026

O conservadorismo liberal parte de uma ideia simples, embora cada vez mais esquecida: não existe verdadeira liberdade sem responsabilidade, respeito pela lei e memória. Cada pessoa deve poder escolher o seu caminho, mas nenhum poder, seja político, económico ou social, pode ultrapassar os limites do que é legítimo.
O Estado deve ser forte onde realmente faz falta: na segurança, na Justiça, no controlo das fronteiras, no cumprimento da lei e no combate à corrupção. O problema começa quando se torna pesado, caro e intrometido, cobra cada vez mais impostos, cria burocracia para tudo e complica a vida de quem trabalha, investe ou apenas tenta cumprir as suas obrigações.
Na imigração, o princípio deve ser o mesmo. Rejeitar o racismo e a xenofobia é uma obrigação moral, mas isso não significa aceitar uma política sem regras nem critérios. Quem escolhe viver em Portugal deve respeitar as nossas leis, aprender a nossa língua e integrar-se na sociedade portuguesa. Nenhum costume ou prática religiosa pode estar acima do Estado de Direito.
Hoje temos um Estado que exige muito e devolve pouco. Pagamos impostos sobre o rendimento, o consumo, a casa, os combustíveis, os automóveis e quase tudo o que usamos ou compramos. Mesmo assim, esperamos meses por uma consulta, anos por uma decisão judicial e demasiado tempo por uma simples resposta da Administração Pública.
Ser conservador não é ter medo da mudança. É perceber que mudar nem sempre significa melhorar e que há valores que não devem ser abandonados apenas porque os tempos mudaram. A família, a propriedade privada, a comunidade, os costumes e as instituições que resistiram ao tempo não são inimigos da liberdade. Muitas vezes, são precisamente aquilo que a sustenta.
Edmund Burke lembrava-nos de que um país não pertence apenas aos que nele vivem hoje. Recebemo-lo daqueles que vieram antes de nós e temos o dever de o preservar, melhorar e deixar às gerações seguintes.
Portugal precisa de reformas, de mais transparência, de menos corrupção e de instituições que funcionem. Mas não precisa de renegar a sua História, a sua cultura ou o seu modo de vida só para parecer moderno.
É isto o conservadorismo liberal: corrigir o que está mal sem destruir o que recebemos, defender a liberdade sem esquecer os deveres e preparar o futuro sem cortar as raízes.
Portugal só terá futuro enquanto souber honrar a alma, a memória e as raízes que fizeram de nós um povo.

Jorge Miguel Neves

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