Paulo Teixeira, presidente da Associação Empresarial de Felgueiras, considera que setor enfrenta um dos maiores desafios dos últimos anos.
O presidente da Associação Empresarial, em entrevista ao Semanário de Felgueiras (SF), rejeita uma guerra com os novos ‘retail parks’, defende parcerias entre grandes superfícies e comércio tradicional e admite que os empresários enfrentam um dos maiores desafios dos últimos anos.
A recente instalação de várias médias e grandes superfícies comerciais em Felgueiras está a transformar o panorama económico do concelho e a obrigar o comércio tradicional a adaptar-se.
Para o presidente da Associação Empresarial de Felgueiras (AEF), Paulo Teixeira, esta nova realidade não deve ser encarada como uma ameaça a combater, mas antes como um desafio ao qual os comerciantes terão de responder com inovação, modernização e novas estratégias de promoção.
“O pequeno comércio de Felgueiras vai ter de fazer alguma coisa. Vai ter de se reinventar e criar novas campanhas”, defende.
Apesar das preocupações manifestadas pelos empresários, Paulo Teixeira afasta qualquer posição de confronto com os novos ‘retail parks’.
“Não estamos contra. Eu penso que não posso estar contra, porque faz parte do desenvolvimento”, destacou.
Na perspetiva do dirigente, a chegada destas grandes superfícies era praticamente inevitável e constitui “um mal necessário”, cabendo agora ao comércio tradicional encontrar formas de continuar competitivo.
Cooperação em vez de confronto
Longe de defender uma divisão entre o comércio tradicional e os novos espaços comerciais, refere o dirigente que a Associação Empresarial pretende explorar formas de cooperação.
Segundo Paulo Teixeira, já decorreram contactos com responsáveis pelos ‘retail parks’ e foram discutidas iniciativas conjuntas destinadas a promover o comércio local.
“Disseram-nos que, se quisermos fazer uma feira ou uma campanha naquele espaço, facilitam-nos isso sem custos. Queremos aproveitar essas oportunidades”, anotou.
O objetivo – observou ainda – passa por criar eventos que atraiam consumidores e permitam dar maior visibilidade às pequenas empresas locais.
Grandes superfícies preocupam comerciantes
O presidente da associação reconhece, porém, que a apreensão entre os comerciantes existe e é compreensível: “Os nossos associados manifestam preocupação. Claro que não estão contentes e vão-nos pedindo ajuda”
Para responder às dificuldades, a associação tem reforçado as campanhas promocionais e organizado iniciativas como feiras de stocks, feiras de fumeiro e campanhas sazonais.
Segundo Paulo Teixeira, estas ações têm produzido resultados: “Pelo feedback que temos dos comerciantes, as campanhas têm dado resultado. Eles continuam a aderir ano após ano.”
Associação cresce e procura aproximar-se da indústria
Eleito presidente da Associação Empresarial em janeiro de 2025, Paulo Teixeira afirma que a instituição vive atualmente um momento de crescimento no número de associados.
Em cerca de ano e meio de mandato, a associação procura aumentar a representatividade junto da indústria, sobretudo do setor do calçado: “Tem aumentado o número de sócios e não apenas no comércio. Também conseguimos trazer mais empresas da indústria do calçado.”
Além da promoção comercial, a associação disponibiliza serviços de formação, contabilidade, apoio a candidaturas e organização de missões empresariais, tendo recentemente acompanhado empresários do setor do calçado numa feira internacional em Itália.
Comércio precisa de acelerar a transformação digital
Outro desafio apontado pelo presidente da AEF é a digitalização das empresas.
Embora considere que muitos empresários já tenham dado passos importantes, admite que ainda existe um longo caminho a percorrer.
“O comércio tradicional também tem de avançar um bocadinho. As pessoas têm de aprender a vender também online”, referiu, anotando que a associação promove regularmente ações de formação nesta área e garante estar preparada para apoiar os associados.
“Aquilo que os associados precisarem de nós, nós temos mecanismos para isso”, garantiu ao SF.
Plataformas online criam concorrência “desleal”
Paulo Teixeira mostra-se crítico com o crescimento das plataformas internacionais de comércio eletrónico, considerando que competem em condições diferentes das empresas nacionais.
“Se houvesse algumas regras ou alguns impostos para esse tipo de negócios, penso que o nosso comércio seria muito beneficiado!”, observou, preocupado.
Apesar de reconhecer que muitos consumidores são atraídos pelos preços baixos, considera que o comércio local continua a ter vantagens importantes: “Os nossos produtos têm qualidade. Aqui conhecemos o comerciante, sabemos onde reclamar e temos acompanhamento.”
Obras penalizam comerciantes… mas são inevitáveis
A entrevista abordou igualmente o impacto das obras em curso no concelho, sobretudo nas cidades de Felgueiras e Lixa.
Embora reconheça que muitos comerciantes estão descontentes com os atrasos e os constrangimentos provocados pelas intervenções, Paulo Teixeira considera que os benefícios acabarão por compensar: “Temos tido algumas reclamações. Os comerciantes realmente não estão contentes, mas as obras são um mal necessário.”
O dirigente acredita que a maior parte das intervenções estará concluída até ao final do ano.
Sobre a polémica redução de estacionamento em algumas zonas dos centros urbanos, assume uma posição de que “as pessoas têm de mudar um bocadinho a mentalidade”. “Estacionar mais longe e percorrer a cidade a pé pode até ser bom para o comércio”, comentou.
Apesar das dificuldades que o comércio enfrenta, Paulo Teixeira mostra-se otimista quanto ao futuro da Associação Empresarial de Felgueiras.
“Temos sempre de estar preocupados, mas penso que a associação está bem e tem um futuro risonho”.
Confiante, o dirigente refere que o reforço do número de associados, a aproximação à indústria e a aposta na formação e na modernização permitirão à associação continuar a desempenhar um papel determinante na defesa dos empresários do concelho, numa fase de grades transformações do comércio local.
Armindo Mendes




