Marta Martins começou a participar no Cortejo das Flores com seis anos, acompanhando a avó paterna, que lhe transmitiu o gosto pela tradição
Marta Martins tinha apenas seis anos quando subiu ao Monte de Santa Quitéria no Cortejo das Flores pela primeira vez. Aos 20 anos, continua a percorrer o mesmo caminho ao lado da avó paterna, Conceição Moreira, de quem herdou o gosto pela tradição feita de flores, devoção e memória, que há mais de 125 anos embelezam a cidade.
Emigrada em França durante vários anos, a avó São nunca deixou que a distância a afastasse por completo das tradições da terra. Quando regressou a Felgueiras, o Cortejo das Flores voltou a ocupar um lugar especial na sua vida, agora vivido com mais tempo e dedicação, algo que não passou despercebido à neta, que desde cedo cresceu a ver a avó “a preparar os cestos de flores e a participar com grande entusiasmo”.
Nas memórias de infância, Marta recorda o feriado municipal dedicado a São Pedro, como um momento de encontro familiar, marcado pela subida da avó São ao Monte de Santa Quitéria e mais tarde pelo piquenique com os pais, avós e tios, que fazia daquele dia uma celebração partilhada entre gerações. A vontade de participar começou aí “de forma muito natural”, celebrando o dia da cidade, mas sobretudo celebrando a família.
É pelo lugar da Estradinha que a neta e a avó desfilam há mais de dez anos, agora juntas erguendo à cabeça ou ao braço os ícones da celebração – os cestos de flores. A família acaba por estar envolvida de diferentes formas, recorda Marta Martins, ao lembrar a primeira vez que carregou um cesto de flores, na altura, feito pelo avô paterno, que não quis deixar aos pés da imagem de Nossa Senhora de Fátima, no topo do monte, como é habitual.
Ao longo dos anos, foi encontrando, além da tradição e do ambiente festivo, um “espírito de união entre as pessoas”, ficando “evidente o significado que o cortejo tem para a comunidade e para a cidade”, reforça a jovem. É, essencialmente, uma experiência coletiva, vivida também pela mãe, que participa no cortejo que, para muitos, representa um dos momentos altos das festas de São Pedro.
O caminho íngreme, feito quase sempre num dia marcado por altas temperaturas, torna a subida ao Monte de Santa Quitéria fisicamente exigente, mas não o suficiente para afetar a experiência, até porque “a motivação e o ambiente fazem com que tudo valha a pena”, expressa a felgueirense.
Mesmo a viver a mais de 300 quilómetros de casa, enquanto estuda na Academia da Força Aérea, em Sintra, Marta Martins faz questão de regressar a Felgueiras para as Festas de São Pedro e manter viva a ligação ao Cortejo das Flores. “Sinto bastante orgulho”, diz, sublinhando a importância de preservar estas tradições “porque fazem parte da nossa identidade”, algo que recusa deixar cair no esquecimento da família.




