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“O espaço político para as mulheres tem-se realmente ampliado e têm surgido mais oportunidades” (COM VÍDEO)

Catarina Assis (PS), uma mulher a liderar a bancada do maior partido na Assembleia Municipal de Felgueiras

A socialista Catarina Assis é a líder da bancada do PS na Assembleia Municipal. Nesta entrevista a SF, fala de si, do seu trabalho como cidadã, mas também da envolvência da Assembleia Municipal, onde os socialistas têm uma maioria confortável. Catarina Assis elogia o presidente António Faria, pela sua isenção, e refere haver um bom ambiente entre todas as bancadas, apesar das naturais divergências políticas. Também defende mudanças no regimento da assembleia para evitar que as reuniões se prolonguem até muito tarde, como em ocorrido recentemente.

Semanário de Felgueiras (SF) – Quem é, afinal, é Catarina Assis?
Catarina Assis (CA) –
Dizer-lhe que é um gosto recebê-lo uma sala do Partido Socialista. É um gosto também poder dar conhecer o trabalho do Partido Socialista na Assembleia Municipal. E respondendo à sua pergunta, a Catarina Assis é uma mulher muito simples que trabalha no concelho de Felgueiras. Tem formação académica, mestrado em neuropsicologia clínica. Estou na política desde os meus 18 anos, portanto, sou membro da Comissão Política desde os meus 18 anos. Eu não trabalho na área da minha formação académica, trabalho neste momento na área empresarial, onde estou a tirar um curso técnico-profissional de contabilidade e fiscalidade. Sou uma jovem muito simples. Eu considero-me ainda jovem, apesar de já ser mãe e ter dois filhos.

SF – A Catarina está há alguns anos, de facto, na política. Começou na JS?
CA –
Eu quando entrei para o Partido Socialista foi logo mesmo para o Partido Socialista. Passei logo a ser um membro da Comissão Política à data. Depois, em 2020, surgiu a possibilidade e apresentei candidatura à Coordenadora das Mulheres Socialistas. Candidatei-me, venci a eleição, venci outras consecutivas e atualmente sou ainda coordenadora das Mulheres Socialistas de Felgueiras. Portanto, desde os 18 anos que tenho desenvolvido um percurso político dentro do PS. Desde a Coligação do Sim Acredita que sou deputada municipal. Depois fui eleita líder da bancada, porque internamente também passamos por um processo de eleição.

SF – E ocupa também um lugar de estar na estrutura das Mulheres Socialistas…
CA –
Sim, sou a coordenadora concelhia. Portanto, a terminologia é diferente daquilo que é o presidente da Comissão Política. As funções são praticamente as mesmas, mas a terminologia efetivamente é diferente.

SF – Como está a política para as mulheres em Felgueiras, no seu ponto de vista?
CA –
No meu ponto de vista, a política para as mulheres em Felgueiras tem melhorado ao longo dos anos. As mulheres têm uma presença maior, têm estado mais presentes na política, desde as Assembleias de Freguesia, Deputados Municipais até ao próprio Executivo Municipal. Noto que há uma maior envolvência.

SF – Nós temos neste momento duas vereadoras que têm estado em evidência…
CA –
Temos duas vereadoras com pelouros e temos uma vereadora da oposição, mas também não deixa de ser uma mulher a exercer o cargo. Portanto, o espaço político para as mulheres tem-se realmente ampliado e têm surgido mais oportunidades. Acho que, também, o facto das outras mulheres poderem perceber que há cargos que são atingíveis, apesar do género ser o feminino e verem também em nós uma representação daquilo que é possível, provoca uma maior adesão e uma maior participação. Eu tenho notado que há esse crescimento. Têm existido esse esses espaços. Também as leis que têm sido feitas permitem às mulheres mulheres participarem cada vez mais na política. Portanto, acho que é um caminho de igualdade, de ascensão de oportunidades que tem sido construído, passo a passo.

SF – No caso do Partido Socialista aqui em Felgueiras, tem-se registado a adesão de novos militantes do sexo feminino, com alguma expressão?
CA –
Sim, as mulheres têm tido maior adesão, aliás, há de saber tão bem como eu que no eleitorado do Partido Socialista, grande parte dele, é do sexo feminino. As mulheres têm vindo a estar cada vez mais representadas no Partido Socialista. Prova disso é a adesão de militantes e simpatizantes. Nós, aqui em Felgueiras, também temos tentado fomentar essa participação. Realizou-se cá a Convenção Distrital das Mulheres Socialistas. Acho que tem sido um caminho profícuo naquilo que são os objetivos, quer da estrutura das Mulheres Socialistas, quer do próprio Partido Socialista, porque, eu digo muitas vezes, quando falamos de direitos das mulheres, falamos também de direitos humanos e os direitos humanos dizem respeito a todos, independentemente do seu género.

SF – E temos uma mulher à frente da bancada do Partido Socialista, que é a maior na Assembleia Municipal. Como tem sido essa experiência? Imagino que seja um trabalho desafiante?
CA –
Sim é uma tarefa desafiante. Somos realmente a bancada da maioria, mas o facto de, efetivamente, termos a maioria não nos desresponsabiliza. Pelo contrário, ainda nos responsabiliza mais. A Assembleia Municipal, como sabe, é fiscalizadora da ação do Executivo e o facto de termos a maioria ainda nos acresce essa responsabilidade. Ser a líder de um grupo, no fundo, é tentar dar o rosto e voz à síntese que fazemos nas nossas reuniões preparatórias, aquilo que articulámos entre o grupo e depois fundamentar as nossas intervenções na Assembleia Municipal. Com o facto de ser mulher, nunca senti internamente que fosse um critério de escolha, nem de seleção, portanto, não tem um cariz positivo, nem negativo, foi com naturalidade, nunca foi sequer isso discutido. O que a mim também me agrada muito e me criou esta possibilidade de hoje liderar a maior bancada da Assembleia Municipal.

SF – Como é feita a coordenação entre todos os membros da vossa bancada?
CA –
Temos as nossas reuniões preparatórias, onde articulamos os temas que vamos falar e tentamos um escrutínio no sentido de falarmos a uma só voz na Assembleia Municipal. Portanto, temos as nossas reuniões preparatórias, preparamos os temas e depois transborda naquilo que é a minha apresentação ou de outro colega.

SF – Há alguma articulação do vosso grupo de trabalho com a equipa que está na Câmara Municipal do vosso partido?
CA –
Claro que sim, há uma articulação. O Partido Socialista é um partido da coligação Sim Acredita. Portanto, muitas das propostas que são apresentadas são articuladas previamente nas reuniões. É vertido nessas mesmas propostas o posicionamento de todos os partidos que fazem parte da coligação. As propostas que são apresentadas são trabalhadas.

SF – Como olha para a performance do novo presidente da AM, António Faria?
CA –
Tenho uma avaliação bastante positiva. Eu acho que ele tem dado um cunho pessoal àquilo que é a Assembleia Municipal, muito em linha com o que apresentou ao longo da própria campanha eleitoral. Ele tem-se mantido neutro e tem sido flexível na gestão de tempos.

SF – Na atual composição da AM há um desequilíbrio grande entre o número de eleitos do lado do poder e do lado da oposição…
CA –
Esse desequilíbrio nada mais é do que aquilo que foi o voto do eleitorado. Mas na gestão do tempo das intervenções, o próprio PS cedeu parte do seu tempo de bancada para que a oposição pudesse ter tempo de explanar as suas ideias. Portanto, acho que isso é positivo para a democracia e acho que o António Faria tem feito um trabalho de excelência.

SF – Como olha para o trabalho dos diferentes partidos da oposição, sobretudo o maior partido, o PSD.
CA –
Têm uma avaliação tendenciosa, nomeadamente quando fazem uma avaliação do orçamento, isolado, o que é normal, é algo que cabe ao trabalho da oposição. Portanto, nesse contexto, têm realizado um trabalho profícuo para o desenvolvimento do concelho. O relacionamento que temos entre pares é bastante normal, portanto, não tenho nada assim a apontar negativamente àquilo que é o nosso convívio em sede da Assembleia Municipal. Pode haver um ou outro momento em que a discussão seja mais acalorada, o que também é perfeitamente normal. Temos opiniões divergentes, temos pontos de vista divergentes. Mas, de uma forma geral, é um convívio perfeitamente razoável.

SF – Uma das críticas que a oposição tem feito é o facto de as reuniões estarem a prolongar-se para horas bastantes tardias. O que é possível fazer para alterar aquela situação tão desconfortável para todos?
CA –
Isso é uma preocupação para o Partido Socialista. Já foi tema conversado. Estamos numa fase de recolha de opiniões para aquilo que pode ser a alteração do próximo Regimento da Assembleia Municipal. Portanto, essa situação já foi abordada, certamente será melhorada para que as reuniões não se estendam para tão tarde, e para que os temas possam ser debatidos condignamente, como eles merecem e como os felgueirenses merecem.

SF – Qual será a solução?
CA –
Teremos de dar uma hora de final da Assembleia Municipal e depois disso prosseguir no dia seguinte, mas a solução será fruto de uma negociação em Comissão Permanente.

SF – Qual a opinião genérica que tem do desempenho do atual Executivo liderado por Nuno Fonseca?
CA –
Eu vou fazer uma avaliação bastante positiva. Posso começar por destacar o saldo positivo, que é um carimbo deste Executivo. Sei que muito se tem falado, mas, efetivamente, o saldo positivo é um reflexo de uma boa gestão das contas públicas. Esse é, para mim, um dos pontos fundamentais da ação do Executivo. Depois tem-se falado também da questão das obras. Temos obras pelo concelho todo. É uma realidade, as obras existem, mas também são sinal da dinâmica. Sempre que existem obras é assegurado que o trânsito possa fluir de outra forma. Portanto, tudo é assegurado. Percebo que, às vezes, me possam dizer que causa constrangimentos, o que é natural.

“Tem sido feito um trabalho de recuperação da inércia e da estagnação que tínhamos”

Mas temos de ver os benefícios a longo prazo e não os prejuízos a curto médio prazo. É uma avaliação positiva, mesmo no âmbito da habitação. Tentam dizer que este Executivo não faz nada, mas a realidade é completamente oposta, há várias apostas no âmbito da habitação. O próprio saneamento, que tem tido um crescimento abismal face àquilo que foi encontrado quando este Executivo tomou posse em 2017, inclusive existem. Os planos da rede viária, que também já dei o exemplo das obras, mas que está em constante evolução e melhorias. O crescimento do concelho está à vista, veja-se o que foi feito no Alto das Barrancas, que é uma zona empresarial muito importante para o concelho, nomeadamente para o trabalho qualificado. Acho que tem sido feito um trabalho de recuperação da inércia e da estagnação que tínhamos até então.

Armindo Mendes

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