Artigo de opinião publicado na edição 1498 de 5 de junho de 2026
Sob este título, na edição nº. 484 de 16 de Março de 2000, escrevi neste jornal, uma das últimas crónicas enquanto Director deste orgão da Imprensa Local.
E hoje, e desde há muito tempo a este parte, escrevendo sempre possuído por igual sensibilidade, continuo a escrever, sendo muitas vezes aquelas que, devido à iliteracia de muitos felgueirenses me apetece desistir, mas que, por serem mais fortes todas as outras que me impelem para o continuar a fazer, é isso que prevalece e continuará a acontecer, “continuando desta forma a cantar até que a voz me doa“».
A primeira crónica que escrevi neste jornal – um texto fantasmagórico com o título “Crime, Disse Ele!” foi na sua Edição nº.17 de 21 de Setembro de 1990, já lá vão, portanto, perto de trinta e seis anos.
Desde aí, e até ao presente, e sob diversos formatos – incluindo in “O Jornal de Barrosas” -, são já mais de quinhentos os registos inseridos e guardados nas páginas deste jornal, -mais que uma mão cheia como sui dizer-se!
Por conseguinte, em momento de glória, como é este, o do 36º. Aniversário do SF FELGUEIRAS, ainda não é a hora de pensar em esmorecimentos, mas tão só nos caminhos que nos fazem sorrir e que nos continuam a convocar para iguais contributos de prazer e de cidadania.
E sendo, os jornais em geral, e os locais em particular, um mundo que parece estar a acabar antes do nosso tempo, é imperioso que façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para que isso não aconteça, competindo-me, tal como a outros que também fazem opinião, ainda que pouco lidos, manter o imperativo cívico de continuar a escrever.
E mesmo sabendo que, em Felgueiras, continuam a ser muito baixos os níveis de literacia no que à imprensa escrita diz respeito, e que nos hábitos de leitura os piores são os que se entroncam com o consumo de textos de opinião, ainda assim, será deveras importante que quem assim escreve o continue a fazer, na medida em que os jornais, além da publicidade, das notícias e das reportagem, carecem também e sobremaneira dos “Opinion Makers“, se mais não fora, pela diversidade de mensagens que conseguem transmitir.
E sabendo-se, ainda, que este é um jornal local que nunca se curvou ao poder, mas que, também, sempre o soube e continuará a saber respeitá-lo, e que, tal como sempre tem vivido permanece no presente com dificuldades inúmeras, será importante que saibamos continuar a cuidar dele, impedindo – tal como já aconteceu a outros jornais mais antigos do concelho -, o seu desaparecimento.
Prosseguindo normalmente a sua função dentro do caminho e da linha inicialmente traçados, com uma linguagem simples que todos os leitores entendem, o SF Felgueiras, para continuar a afirmar o diálogo virtuoso com a população que serve e continuar a engrandecer o concelho de Felgueiras – sua primeira e última razão de existir -, mas, sobretudo, para não acabar antes do nosso tempo, precisa que os felgueirenses percebam que o declínio acelerado dos jornais em papel é, desde há muito tempo, uma notícia antecipada de um concelho e de um país mais pobres, competindo-lhes fazer mais do que têm feito pela defesa deste património local.
E sendo um jornal que primacialmente tem por objectivo relatar os acontecimentos que mais de perto tocam as populações, é e tem sido por isso mesmo, também um jornal fundamental para a dinamização cultural do concelho, razão pela qual, fazendo parte integrante de uma comunicação social livre, também tem sido, permanentemente essencial para a nossa formação política, social e cultural, enquanto cidadãos.
Pautando-se, desde sempre, pelo sagrado princípio de veicular informação esperada, regular e credível, o SF Felgueiras, é um orgão da Imprensa Local demasiadamente importante para a própria democracia no concelho, constituindo-se desde o seu início, num nicho privilegiado para uma cidadania esclarecida na nossa Terra.
Por tudo isto, e não é pouco, é que trinta e seis anos depois permanece vivo, merecendo e devendo continuar a contar, por parte dos felgueirenses, com sinais mais claros de parabéns e carinho.
“Texto escrito segundo o anterior Acordo Ortográfico”
José Quintela




