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Bom futuro com Seguro

Artigo de opinião publicado na edição n.º 1492 de 13 de março de 2026

No dia 9 de Março ocorreu a tomada de posse do novo Presidente da República.  
Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril e 50 após da primeira eleição presidencial do General António Ramalho Eanes em 1976, António José Seguro acaba de ser  empossado no cargo, tornando-se, assim, no 21º. presidente da Republica de Portugal, sucedendo, depois do 25 de Abril de 1974, a Marcelo Rebelo de Sousa – 2016/2026; Cavaco Silva – 2006/2016; Jorge Sampaio – 1996/2006; Mário Soares – 1986/1996 e Ramalho Eanes – 1976-1986.  
Sendo que os anteriores, ao contrário dos governos que já tivemos, cumpriram todos dois mandatos, Portugal contou apenas com cinco Presidentes da República em 50 anos, todos eles homens e jamais mulheres, não obstante as excelentes candidaturas de Maria de Lurdes Pintassilgo em 1986,  Maria de Belém em 2016 e Ana Gomes no ano de 2021.  
De todos estes que já passaram pelo cargo, não posso esconder o gozo que me deu ter votado em Mário Soares no ano de 1986, para o qual me vi compelido a trabalhar em regime de urgência numa renovada e decisiva batalha eleitoral, utilizando  e  exercendo muita magistratura de influência partidária para a persuasão de muitos comunistas e outros democratas no sentido de contribuírem para a sua vitória, não só por exercício de disciplina, mas, sobretudo, por à data toda a esquerda ter percebido que a sua eleição era de facto a melhor solução para Portugal.  
Porém, foi o sucessor deste, Jorge Sampaio, quem durante dois mandatos – 1996/2006, mais e melhor correspondeu às minhas melhores expectativas no exercício deste cargo, e por, no desempenho de tais funções, se ter tornado num exemplar executor de uma verdadeira magistratura de influência, não só junto dos governos e do Parlamento, mas, também, com os portugueses e a sociedade civil.  
Dito isso, temos agora António José Seguro, o qual tendo começado a corrida para o cargo contando apenas com 6% de intenções de voto nas sondagens, acabou eleito com mais de 67% dos votos dos portugueses.  
Todavia, constituindo-se, este, no melhor resultado de sempre obtido por todos os presidentes eleitos  depois do 25 de Abril, nada garante que o seu primeiro mandato se constitua desde já num mero passeio para um segundo, já que serão por certo muito diferentes as condições políticas que irá encontrar no presente percurso e aquelas que se irão conhecer no início do ano de 2031.  
E sem pretender fazer futurologia, o que de resto não sei nem gosto de fazer, será seguro e certo que nas próximas eleições presidenciais a Direita não cometerá a mesma “borrada” de 2026, e sendo previsível que terá percebido bem a lição deste ano, tudo fará, não para se apresentar com três ou quatro candidatos do seu espaço político, mas menos, porventura só um, ou na pior das hipóteses apenas dois.  
E a Esquerda, que também não quererá repetir a pulverização de candidaturas, outro remédio não terá do que votar Seguro numa primeira volta, porque para aventureirismo já bastou o que em Janeiro deste ano se viu, a não ser, o que não é esperável nem expectável, que Seguro venha a realizar um péssimo primeiro mandato.  
Na sua tomada de posse, António José Seguro fez questão de elevar ao nível bem alto todas as suas ambições e exigências para o exercício do cargo, sendo que tão bem são muito altas as expectativas dos portugueses, não se incluindo nestes muitos daqueles que votando sempre à esquerda, dele não esperam muito.  
E reconhecendo-se nele, e desde há muito tempo a esta parte, muitos resquícios de fraco decisor, é desde já enorme o temor de inúmeros eleitores da esquerda no que concerne à decisão que o mesmo irá adoptar quanto ao desnaturado pacote laboral em curso, mas, sobretudo, sobre o que de relevante poderá fazer para alterar os desastres em que o país se encontra a viver nos domínios, da Saúde, da Habitação e da Justiça.  
E sabendo muitos de nós que o Governo é quem governa, sabemos também que vai continuar a ser verdade que um bom presidente não faz um bom governo, e que assim sendo serão progressivamente mais  evidentes os retrocessos de que os sucessos que se registarão brevemente ao nível da governação em Portugal.  
Não por Seguro, mas tão só por tudo aquilo que ele junto deste governo não conseguirá ver realizado.  

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