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No Inverno da Vida

Artigo de opinião publicado na edição 1491 de 27 de fevereiro de 2026

Recentemente, por motivos de ordem familiar, vi-me compelido a entrar num mundo hostil, do qual ouvia falar abundantemente, mas sobre cuja realidade não conhecia a sua verdadeira dimensão.

Sabendo muitos de nós que a longevidade de vida é um grande desafio global que enfrentamos, seria normal que os países desenvolvidos e as suas economias dedicassem mais tempo, mais cuidados e maiores investimentos na procura de melhores soluções para a vida dos idosos, não só no que concerne ao aumento dos valores das suas reformas e demais apoios sociais, mas, também, para a criação e activação de mais e melhores equipamentos para os acolher condignamente neste tempo em que em número crescendo vão chegando às portas do chamado Outono da Vida.

Porém, não sendo isso o que está a acontecer, no que toca ao equilíbrio sustentável dos seus rendimentos, vejamos o que se verifica no que concerne às retaguardas dos cuidados de protecção social na velhice de que tanto carecem.

Com uma rede paupérrima ao nível de equipamentos públicos, regra geral designados por Lares e/ou Centros de Dia, o país está muito longe de poder assegurar as mais modestas necessidades dos portugueses, sendo que em Felgueiras, com igual ou maior expressão do que a média da Região e do País, tais equipamentos são reduzidíssimos e desde há muitos anos a esta parte, manifestamente insuficientes.

Mas, para além de insuficientes, os que existem são por razões pouco entendíveis sobremaneira caros, sendo por demais os felgueirenses que se encontram em fracas condições económicas a terem qualquer possibilidade de poderem usufruir da maior parte desses.

Por conseguinte, sendo inegável que a maioria das pensões da Segurança Social está abaixo da linha de pobreza, será imperioso que o Governo e os partidos introduzam urgentemente aumentos no valor mínimo das pensões, sem deixarem de fora as mudanças que se impõem introduzir ao nível do Complemento Solidário para Idosos – CSI.

Tendo, nos últimos 60 dias, contactado mais de uma dezena de lares – do concelho e para além deste -, com vista á admissão de um familiar directo, o qual acabara de completar um programa de noventa dias de cuidados continuados e que no quadro familiar não disponha de condições para continuar a sua plena recuperação com o devido sucesso, deparei que a maioria deles, além de possuírem listas extensas de procura,  também praticam preços deveras exorbitantes, e em inúmeros casos, com valores superiores ao Salário Mínimo Nacional em vigor de 920 Euros, e a sua generalidade, com valores muito acima dos montantes auferidos pela grande maioria dos Reformados da Segurança Social.

Dentro deste panorama, onde ou não existem vagas, ou quando existem não é possível pagar os montantes estabelecidos ou convencionados, pouco mais resta aos Idosos do que a solução de recorrerem às “Casas Clandestinas” para serem acolhidos, e/ou aos familiares para suportarem o diferencial entre os valores cobrados e os miseráveis montantes que regra geral auferem a título de reforma.

Sendo que a Ciência ainda pode e deve mudar mais a forma como envelhecemos, com mais saúde e melhor qualidade de vida, é imperioso que o Estado e o Sector Social, não descurem as suas responsabilidades neste domínio e que apesar desta não ser de todo uma competência das Autarquias, muito mais também já poderiam e deveriam estas a estarem a fazer algo de mais substancial pelos idosos dos seus concelhos.

Em Felgueiras, são muitas as famílias a conviverem com este drama tão tormentoso, umas porque podendo assumirem tal compromisso não encontram vagas e o maior número por não conseguirem reunir proventos para assegurar um qualquer lugar, mesmo nos Lares de classe mais modesta.

Sendo sempre maiores as listas de espera do que as vagas disponíveis, muitas famílias felgueirenses esperam e desesperam por um lugar num Lar do concelho ou fora dele, encontrando-se em crescendo esta espantosa realidade.

Dito isto, é imperioso que o Estado e as Autarquias Locais comecem a olhar para esta realidade com visão futurista, aumentando anualmente o investimento nestes e noutros equipamentos de Protecção Social, já que a par dos Lares, também constitui uma lacuna muito grande a falta de mais e bons Centros de Dia, no Concelho e na Região, um caminho que importa percorrer para minorar este inferno da vida e para protagonizar um  aumento real na qualidade de vida de todos os Idosos.

Texto escrito segundo o anterior Acordo Ortográfico.                                       

José Quintela

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