Editorial publicado na edição 1491 de 27 de fevereiro de 2026
Assinalou-se esta semana o 4o ano da guerra na Ucrânia. 4 anos desde que a Rússia desencadeou a sua indecente invasão do território da Ucrânia, violando o direito internacional, a soberania de um Estado independente e os princípios mais básicos da convivência entre nações.
4 anos depois, repetem-se os atos criminosos. Continuam os bombardeamentos indiscriminados, continuam as cidades devastadas, continuam as famílias destroçadas. Centenas, milhares de inocentes perderam a vida. Outros tantos carregam feridas físicas e emocionais que nunca sararão. A paisagem europeia voltou a conhecer o som das sirenes, o medo permanente, o frio das casas destruídas e o drama de milhões de deslocados.
É impossível não sentir indignação. Indignação perante a agressão russa, que insiste numa lógica imperial e expansionista, indiferente ao sofrimento humano. Indignação também perante a incapacidade das grandes potências ocidentais de pôr termo a este conflito. Nem a Europa, com todo o seu peso político e económico, nem os Estados Unidos da América, com a sua influência determinante no xadrez internacional, conseguiram, até agora, travar uma guerra que não provocaram, mas que têm a responsabilidade moral e estratégica de ajudar a encerrar.
Vivemos dias de grande preocupação. O mundo parece cada vez mais violento e menos sensato. A diplomacia cede terreno à força bruta. O diálogo é substituído pela ameaça.
E homens pouco tolerantes, fechados em visões autoritárias e ambições desmedidas, condicionam o equilíbrio mundial e a geopolítica global, jogando com a vida de milhões como se fossem peças descartáveis.
A guerra na Ucrânia não é apenas um conflito regional. É um teste à solidez das democracias, à coerência do direito internacional e à capacidade do mundo livre de defender os valores que proclama.
Cada dia que passa sem uma solução justa e duradoura representa mais sofrimento e mais descrédito para as instituições internacionais.
Num tempo em que tanto se fala de progresso, tecnologia e desenvolvimento, é trágico constatar que continuamos incapazes de evitar a barbárie.
4 anos depois, a pergunta impõe-se: quantas mais vidas terão de ser sacrificadas até que a razão prevaleça sobre a força?
Este aniversário não é apenas uma marca no calendário. É um lembrete doloroso de que a paz nunca é garantida e de que a indiferença, a hesitação ou o cálculo político podem ter custos humanos devastadores.
A história julgar-nos-á não apenas pelas palavras de condenação, mas pela coragem — ou falta dela — em pôr fim a uma guerra injusta que jamais deveria ter começado.
Susana Faria




