InícioSociedadeEndometriose: uma dor silenciosa

Endometriose: uma dor silenciosa

A endometriose é uma doença inflamatória crónica dependente de estrogénio e caracteriza-se pela presença de tecido similar ao endométrio (tecido que reveste o útero da mulher) fora do seu local habitual: pode ser encontrado nos ovários, bexiga, intestino e até no sistema respiratório, provocando uma resposta local inflamatória. Na maioria dos casos, a endometriose não tem cura e estima-se que afete aproximadamente 2 a 17% da população feminina em geral.

 Apesar de ser uma condição crónica, ou seja, que persiste ao longo da vida da mulher, os seus sintomas podem ser geridos. O principal sintoma da endometriose é a dor, que pode manifestar-se de diferentes formas, consoante a localização e os órgãos envolvidos. Entre os sintomas mais frequentes destacam-se a dor pélvica crónica, cólicas menstruais intensas e incapacitantes, dor durante as relações sexuais, dor ao urinar, dor ao evacuar, alterações intestinais durante o período menstrual e dificuldade em engravidar. A intensidade e a manifestação dos sintomas variam de mulher para mulher. Importa salientar que a extensão da doença nem sempre corresponde à gravidade dos sintomas, podendo existir casos com lesões extensas e poucos sintomas, assim como mulheres com doença pouco extensa e dor severa.

Infelizmente, muitas mulheres normalizam a dor menstrual intensa durante anos. Esta desvalorização contribui para atrasos no diagnóstico, que em média pode demorar vários anos. O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, no exame físico e em exames complementares como a ecografia pélvica ou a ressonância magnética. Em alguns casos, a confirmação definitiva pode implicar cirurgia (laparoscopia). Quanto mais cedo for identificada, maior a probabilidade de controlar os sintomas, travar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida e a fertilidade.

 Cada mulher apresenta um quadro clínico único e, como tal, não existe uma forma de tratamento que possa ser generalizada. Existem, felizmente, múltiplas formas de atenuar os efeitos que a endometriose provoca ainda que só ofereçam um alívio a curto prazo. Começando pelas terapias analgésicas, terapias hormonais, a cirurgia minimamente invasiva, conservadora ou até radical, procriação medicamente assistida ou uma combinação destes. Para além destas terapias convencionais, é de referir a importância de outras especialidades, nomeadamente a nutrição, a psicologia, a fisioterapia do pavimento pélvico e as terapias complementares.

A endometriose não afeta apenas o corpo — pode ter repercussões significativas na saúde mental, na vida profissional, académica, social e conjugal. Falar sobre endometriose é um passo essencial para reduzir atrasos no diagnóstico e melhorar a qualidade de vida de quem vive diariamente com esta condição.

Um Conselho da UCC Felgueiras. Enfermeiras Mariana Ribeiro e Carla Costa

Pub Banner

Pub

Quinta de Maderne

Pub

Teco

Mais Populares

A sua assinatura não pôde ser realizada.
A sua subscrição foi realizada com sucesso

Subscreva a nossa newsletter

Pub

Sifac

Últimas