Artigo de opinião publicado na edição 1490 de 13 de Fevereiro de 2026
Depois de contados os votos da segunda volta das eleições presidenciais, importa vincar, tal como ficou bem evidenciado, que a resposta para os problemas das pessoas não se resolvem com gritos, mas sim com trabalho.
Sendo também verdadeiro que dois terços dos eleitores escolheram Seguro porque não querem Ventura, resulta também muito claro, que os portugueses, tal como já o tinham garantido na primeira volta, nunca tiveram dúvidas em escolher tão só aquele que representa a vitória de valores.
Por seu turno, sendo também muito evidente que André Ventura não obteve os votos do sector que diz representar, também ficou claro que a arrogância não ganha votos, sendo por demais despiciendo cantar vitória sobre uma percentagem maior, quando os votos por si obtidos são efectivamente menos do que aqueles que a Aliança Democrática conseguiu nas eleições legislativas de Maio passado.
Com efeito, tendo conseguido, por força do aumento da abstenção, uma percentagem superior à que a “AD” obteve nas últimas eleições legislativas, a verdade é que não conseguiu igualar o número de votos, constituindo-se este resultado, por isso mesmo, numa monumental derrota de André Ventura e do Chega, já que eram seus objectivos ultrapassar os dois milhões de votos como um instrumento imperioso para no futuro poderem reclamar ou consumar a liderança da direita.
Por conseguinte, tendo André Ventura obtido um excelente resultado eleitoral, a verdade é que não lhe irá servir para coisa nenhuma, e não tendo conseguido alcançar nenhum dos seus objectivos eleitorais, encontra-se agora, tal como antes, muito mais longe de uma dia poder vir a liderar a direita.
E não é por acaso, que na noite da contagem dos votos, André Ventura, ao contrário de entrar pela frente do hotel onde se encontrava a sua sede, acabou por fazê-lo pela porta da garagem, com a finalidade de evitar os jornalistas, para quem em ocasiões anteriores, e sempre prenhe de grande satisfação, sempre correu.
Por outro lado, a António José Seguro, que foi eleito com a maior maioria de sempre, ultrapassando Mário Soares em 1991, tendo todo o direito de enunciar desde a primeira hora de que não será um presidente de oposição, mas tão só de exigência, fica-lhe especialmente bem sublinhar essa expressão e garantia, já que é disso que o país mais precisa, e não obstante ser um homem de pontes, desde logo junto do Governo, principalmente nas áreas da Saúde, da Segurança, da Justiça, do Trabalho e do Desenvolvimento Económico.
Contudo, e ainda sobre esta eleição, também importa assinalar, que sendo esta, antes de tudo, uma vitória pessoal, o é também, e sobretudo, uma vitória de um Perfil, do qual os portugueses gostam sobremaneira, em contra-ponto ao daquele que consigo disputou o presente sufrágio eleitoral.
E não havendo lugar para especulações sobre o resultado de André Ventura, já que este teve menos votos do que a “AD” nas legislativas de 2025, poder-se-á concluir que, com tal número de votos, André Ventura não é ganhador de coisa nenhuma, na medida em que não aumentou significativamente a sua base de apoio; que o seu crescimento antes exponencial está a abrandar; que o seu resultado se encontra agora na fronteira das suas possibilidades; que dois em cada três portugueses rejeitam o projecto iliberal que o mesmo representa, e que liderar a direita, agora mais que nunca, não passa de uma miragem, sendo que o Povo Português se mobilizou em massa para eleger um presidente como um vasto currículo político, enérgico, sereno, tranquilo e sólido, saído e consagrado nesta eleição como o melhor representante do campo democrático.
Num momento em que a maioria dos Portugueses tão bem sublinharam que não querem André Ventura e que antes e depois do acto eleitoral tanto sofrimento e tanta dor conhecem, é hora de silenciar a gritaria instalada, e de agradecer a toda a direita que antes não tinha votado em André Ventura por em massa se ter juntado à esquerda para votar em António José Seguro, constituindo-se todos estes factos num verdadeiro encanto dentro do silêncio que já se verifica.
“Texto escrito segundo o anterior Acordo Ortográfico
José Quintela




