Presidenciais 2026.
No próximo domingo, vou votar, como farão, aliás, também (assim espero) os eleitores que valorizam a escolha dos nossos representantes pelo voto, sendo uma das conquistas e também um dos deveres cívicos da nossa democracia.
Eleger o Presidente da República depois de cinquenta anos de liberdade democrática é um momento alto no exercício da nossa cidadania.
Para a segunda volta desta eleição “sobraram” da primeira, dois dos onze candidatos válidos da primeira ronda.
Nenhum deles fora opção que eu seguisse, por coerência política e partidária votei em Luis Marques Mendes, convencido que estava de que ele seria a opção certa para o desempenho de tão alto cargo.
Luís Marques Mendes é um político sério, experiente, com sentido de estado,confiável.
Talvez tenha sido pouco cuidadoso quanto à forma como se lançou no anúncio da sua candidatura e do pouco cuidado em garantir a articulação com o partido das suas origens com cujo apoio contava, ainda que não o pedisse.
A imagem de distanciamento e independência que quis enfatizar em relação ao partido a que estava indelevelmente associado, criou-lhe dificuldades não só a si mas também à família política de onde provinha.
Aparentemente, Marques Mendes convidou-se a si próprio para uma candidatura e terá porventura cerceado outras escolhas dentro do partido, eventualmente mais consistentes na área do centro-direta.
Acresce que, Marques Mendes, sempre transmitiu uma imagem do “déja vu”na política nacional, quer pela usura dos cargos que exerceu, como, sobretudo, pela erosão do tempo e dos anos que entretanto decorreram.
Daí, perdeu! Ou melhor, não ganhou! Não mobilizou os jovens para a sua causa. Não só foi incapaz de os mobilizar, com também não conseguiu utilizar as novas técnicas de comunicação para os seduzir, pese até ter sido, há anos, o membro do governo dessa área da comunicação e dos jornais.
Perdida a minha aposta da coerência e da fidelidade ao candidato do partido que o apoiou, eu tinha um plano B para a segunda volta.
Escrevo a poucos dias de depositar o voto.
Declaro já que não irei votar em André Ventura, nem em António José Seguro!
Não porque, com qualquer um dos dois, a democracia, a liberdade, o estado democrático de direito estejam minimamente em causa.
Não voto em André Ventura porque não me revejo no seu pensamento, nem seu discurso, nas suas práticas e na maioria dos valores que defende.
André Ventura é um político radical, mas está longe de ser aquilo que a esquerda e os hipócrates de centro e de direita “pintam” dele.
Dou-lhe o benefício da dúvida se vier a ser poder, um dia…
Se tal vier a acontecer, que possamos sentir nele um perfil mais próximo do caráter envolvente e entusiasmante da brava Giorgia Meloni, mas nunca um seguidor doutrinário das azougadas políticas do “maluco das Américas “…
Penso sinceramente que André não é fascista, não quer acabar com a democracia, não quer impor uma ditadura, assim o creio, apesar dos “três salazares”…
É um democrata da direita radical, apoiado por um partido de “descamisados” e “ultra direitas” com o apoio económico e financeiro das elites transacionais.
Por isto, esta opção, Não!
António José Seguro!
Será o próximo presidente da república!
Estive com António José Seguro, ouvindo-o, numa tertúlia realizada no dia 24 de Abril de 2025, a convite e organização do advogado, Dr. Rui Marinho, no Café Jardim, em Felgueiras.
Retenho dessa ação a presença de um “cavaleiro solitário”, quase pedindo desculpa aos presentes da ousadia a que se dera de se anunciar candidato, quando nem a família socialista o levava a sério, como até, alguns socialistas de peso como o ex-presidente da Assembleia da República afirmava não lhe reconhecer “os mínimos” para esta “corrida”…
Do que aí se disse e do que lhe ouvimos nessa noite não guardo nada de relevante…!
Registo a presença de um cidadão afável, educado, aparentemente hesitante ainda em relação à “empreitada” a que se proponha.
O auditório não fez uma enchente mas esteve composto com significativas presenças, talvez mais como uma resposta e um sinal de adesão ao convite do promotor do encontro do que, propriamente, pelo interesse despertado pelo palestrante convidado.
Anoto que, ao tempo, o Partido Socialista ainda não tinha declarado apoio a qualquer candidato, pesem embora algumas escolhas falhadas e, tão pouco António José Seguro se apresentava como o candidato dos socialistas e muito menos das esquerdas.
Haveria entretanto de cair o primeiro governo de Luís Montenegro, de virem a ocorrer novas eleições que ditariam a hecatombe do partido socialista. Depois as autárquicas e de novo o esvaziamento do PS.
A Seguro, reconheço-lhe agora não só a temeridade mas também a persistência e resiliência e a tenacidade com que formalizou a candidatura e “secou”, a partir daí ,a concorrência interna”.
Esse terá sido o momento em que o próximo presidente ganhou a sua “segunda vida”.
A “primeira vida” nesta sua caminhada, fora quando, após a defenestração que lhe fora aplicada pelo atual presidente do conselho europeu, António José Seguro, depois de mais de dez anos a “fazer de morto”, se lançou nesta corrida.
Já a “terceira vida” corresponderá ao tão esperado momento de aplicar a “bofetada de luva branca” direcionada ao seu amigo agora residente em Bruxelas.
António José Seguro iniciará, já no próximo domingo, essa nova vida, quando for declarado o oitavo presidente eleito na era democrática.
Aí, sim! Terá o apoio, agora declarado e entusiasta, de todos os seus camaradas, mesmo daqueles que até há pouco, o renegavam e não lhe reconheciam os mínimos necessários para o alto cargo de Presidente da República.
Ensinou-me a vida que não temos que ganhar sempre, sobretudo quando para se ganhar se perde a coerência de posições pela troca de afirmações políticas interesseiras.
Por tudo o que antes desenvolvi, porque não está em causa a democracia nem tão pouco a eleição de um moderado, ainda que da esquerda, votarei Nulo nesta eleição.
PS.
A reflexão para esta minha posição, que anula efetivamente o já referido plano B das minhas opções iniciais foi, sinceramente, influenciada pelo almoço (comício) promovido pela candidatura de António José Seguro, de que resultou a mistura entre os que ainda “acreditam” com os que já não acreditavam, e que estiveram massivamente presentes no último sábado, no Ladário (Lixa).
Aí se confirmou que o próximo presidente poderá ser suscetível à “tralha socialista“ com todos os seus diversos apêndices (comunistas, bloquistas, livres e outros …).
Então, aquele número da rábula da velhinha à saída do lar de idosos com o quase já presidente curvado, sacando um comovente “boneco” para os jornais e para as postagens nas redes, foi um “must”…!
Não! Assim não!
Gostei mais do presidente das “selfies” porque mais genuíno…!
Entretanto,
“GOD SAVE THE PRESIDENT “
Manuel Faria




