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A insegurança que já

Em Felgueiras começa a ouvir-se cada vez mais a mesma frase, dita em tom sério, sem dramatismos, mas com verdade:
“Isto já não é o que era.”
Não é nostalgia. É perceção real de insegurança.
Todos os anos ouvimos o mesmo discurso oficial: “Portugal é um dos países mais seguros do mundo”. Talvez nas estatísticas internacionais. Mas quem anda nas ruas à noite, quem fecha o comércio mais cedo, quem fala com vizinhos e agentes da autoridade, sabe que a realidade não cabe toda nos relatórios.
O próprio Relatório Anual de Segurança Interna confirma aumentos em áreas sensíveis: furtos, roubos, agressões, criminalidade violenta. Os números existem. O problema é que se tornam incómodos quando deixam de servir a narrativa oficial e passam, demasiadas vezes, a ser relativizados.
Em Felgueiras já não falamos de boatos. Falamos de episódios repetidos, na rua do lado, nas lojas do centro, na casa de um familiar. Quando isto acontece, deixamos de falar de casos isolados. Falamos de um padrão. E os padrões não se combatem com silêncio.
O mais preocupante não é apenas o crime. É a normalização. É o encolher de ombros institucional. É a sensação de que falar de insegurança se tornou quase tabu, enquanto se prefere falar de obras, eventos e passeios. Tudo isso será importante, mas nada substitui a primeira obrigação de qualquer poder público: garantir a proteção e a segurança de pessoas e bens.
A insegurança não vive apenas nos relatórios, vive quando comerciantes fecham mais cedo, quando pais hesitam em deixar os filhos ir sozinhos para a escola, quando idosos pensam duas vezes antes de abrir a porta ou quando jovens são perseguidas na via pública.
Segurança não é ideologia, é dever.
E negar o problema não torna Felgueiras mais segura.
Apenas torna os felgueirenses mais vulneráveis.
“Para que o mal triunfe, basta que os homens de bem não façam nada.” (Edmund Burke)

Jorge Miguel Neves

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