Ouve-se dizer que os jovens estão, cada vez mais, desinteressados pela política. Mas será mesmo desinteresse? Ou falta de conhecimento? Ou ainda o formato atual de fazer política?
A geração mais nova, em muitos casos, desconhece o funcionamento do sistema político nacional e não sabe como, nem por onde começar a participar ativamente. Não seria interessante que este tema fosse incorporado desde cedo?
A política está presente em inúmeros aspetos do nosso dia a dia e, ainda assim, raramente é abordada nas escolas. Debates, palestras ou conversas informais sobre Literacia Política poderiam aproximar os jovens deste tema, pois quanto menos se compreende, menos se debate.
O meio digital em que os jovens estão inseridos exige uma reformulação urgente das estruturas políticas, que devem recorrer a meios mais tecnológicos e imediatos, como as redes sociais, para chegar a este público. Embora alguns partidos e figuras políticas já tenham adotado estas estratégias, muitas vezes fazem-no de forma confusa, pouco esclarecedora e apelativa.
Ao encontrar meios de incluir a juventude nas instituições políticas, torna-se mais fácil de motivar e estabelecer um ponto de encontro entre a “velha” e a “nova política”, o que cria uma ligação entre diferentes gerações, passando a existir uma partilha de conhecimento.
Neste contexto, as juventudes partidárias assumem um papel fundamental, ao representarem os jovens e ao orientá-los na construção das suas ideologias e percursos políticos.
Mesmo afastados da política tradicional, os jovens têm encontrado formas de se fazer ouvir através de protestos, manifestações e petições, muitas vezes organizados nas redes sociais.
No meio de muita confusão e incerteza, estas têm sido as principais ferramentas que os jovens encontraram para mostrar o seu descontentamento, mesmo que não o façam, por vezes, conscientes de que é uma forma de também fazer política.
Estudos indicam que os jovens mais participativos cresceram em ambientes onde temas políticos eram debatidos. Assim, é essencial garantir igualdade no acesso ao conhecimento e à participação política, evitando exclusões e desigualdades, sendo certo que, independentemente das ideologias ou da geração a que pertencem, todos têm o mesmo objetivo: querem um país e um futuro melhor.
Inês Costa




