Num trabalho de recolha de informação para o Opúsculo que organizei aquando do Octogésimo Aniversário do Luís Bastos, recordo que a certa altura lhe perguntei quais as memórias que guarda da Rua d’Alegria e do Pé-do-Monte, tendo-me o mesmo, não sem antes estranhar a observação, respondido o seguinte: – A Saudade das Pessoas.
Sendo as suas memórias semelhantes às minhas, e lembrando-me, sobretudo, das épocas natalícias então aí vividas, veio tal resposta a talhe de foice para me servir de mote à construção desta crónica natalícia, já que, tendo tocado de leve neste assunto no jantar comemorativo do seu aniversário, não o pude desenvolver com a profundidade que o mesmo merece e para o qual ora me sinto convocado.

Sabe Luís: » Como não termos saudades de pessoas tão preponderantes e tão marcantes nas nossas vidas de infância e adolescência?
» Desde logo, da sua vizinha mais próxima Srª. Leonorsinha, mãe dos saudosos António e João Lopes, ambos ex-funcionários do Registo Civil;
»Também, da Srª. Zelinha, sua mãe e sua filha Fátima;
» De igual modo, do Sr. Filipe Silva (antigo feirante) e da sua esposa Srª. Adelaide;
» Outrossim, do Sr. Zeca Freitas e sua esposa Rosa Rodrigues, pais, entre outros, do António, do Zeca e do Alberto, todos eles antigos músicos reputados da Banda;
» E como não termos saudades do Sr. Casimiro Marinho e sua esposa Lucindinha Sousa, cuja residencial, agora na mão dos herdeiros, ainda existe no mesmo sítio, bem de frente da porta do Cemitério Municipal;
» E como não ter saudades dos Srs. José Salgado e sua mulher Josefa, da Quininha do “Nato” – Sr. Fortunato -, dos Teives e do Sr. Silva “Cantor” e sua esposa Guidinha;
» E como não termos saudades da Srª Marianinha e seu marido António “Barrói”, meus padrinhos, este último antigo Chefe-jardineiro da Câmara Municipal;
» E como mão termos saudades da Srª. Rosalina “peixeira”, sua filha Emília Rosa e do seu genro Firmino;
» E como não termos saudades do Sr. Manuel e da Srª. Rosa “ligeiro”, que viveram colados à casa do “Barrói”, pais do Sr. José Lemos atual presidente da Junta;
» E como não termos saudades da Dª. Glorinha e do seu marido Sr. Esmeraldo, pais dos irmãos Martins, designadamente do Sr. Alexandre antigo funcionário do Registo Civil, os primeiros bisavós e o segundo Avô, maternos de Nuno Fonseca, atual presidente da Câmara Municipal de Felgueiras;
» E como não termos saudades do Sr. Miguel “Tonto” e da sua esposa Rosinha, pais do Fernando, do Zé Luís, do António, do José e da Maria, três destes já falecidos;
» E como não termos saudades da Semarquinhas Castro, mãe da Srª Águeda e do sr. Virgílio Castro, este antigo funcionário da EDP;
» E como não termos saudades do Sr. José (Bogalho) e sua mulher Joaquina e da Semarquinhas Estanilau, mãe do Fernando, do Albano, do António e do Zeca, três dos quais também já falecidos;
» E como não termos saudades do Sr. José “Pedreiro” e da sua esposa Candidinha Bessa, aquele a quem aquando dos invernos mais rigorosos e mais ventosos recorríamos para nos reparar os telhados das nossas casas;
» E depois do término da ramada que sempre existiu confinante ao muro da Casa d’Alegria, como não ter saudades do pai do meu pai, a quem nunca pude chamar avô, por esse nunca ter reconhecido tal paternidade e cujo nome não devo referenciar para não ferir susceptibilidades;
» E como não termos saudades do sr. Francisco da “Vinha” e de sua mulher Emília Ribeiro; do Sr. Agostinho Couto e sua família e do Sr. António Freitas (Antoninho da Póvoa) e sua mulher Joaquina Alves (QuininhadoCampo), pais dos Srs. Agostinho e Albano Freitas, este último antigo Polícia Municipal;
» E como não ter saudades, do sr. Fernando “Milhões” e sua esposa Deolinda Sampaio, esta falecida recentemente, ambos sogros do Sr. João Sampaio presidente da Direção da Banda de Música;
» E como não termos saudades da Laurinha dos “Gatos”, dos “Branquinhos“, do Sr. Alexandre Diogo e sua mulher Engrácia, e do Sr. Agostinho dos “Ovos” e sua família,, principalmente dos seus filhos António, Fortunato e Alexandre;
» E como não termos saudades do sr. Alexandre (Xandinho) e de sua mulher Miquinhas da Virgínia, dos Coutos e dos “Fadicas” , designadamente do Sr. António Fonseca e sua mulher Celestinha, pais, falando só dos rapazes, do Alberto, do Mário, do Fernando e do Rui, tendo o Fernando, entre três já falecidos, sido em vida o pai de Nuno Fonseca;
» E mais à frente, como não termos saudades do Sr. Mário Ribeiro e de seus extremosos filhos, todos eles, em vida sempre ligados ao bom fabrico e à venda do Pão de Ló de Margaride;
» E como não termos saudades dos outros Ribeiros mais à frente, designadamente do saudoso maestro da nossa Banda, Sr. Henrique Pereira Ribeiro e seu irmão Alexandre;
» E como não termos saudades do Sr. Firmino da Costa Leite, do Sr. Manuel Bragança e do Sr. Machado do Tribunal; E mais arriba, como não termos saudades do Sr. António Diogo e seu malogrado filho Jorge Diogo, falecido precocemente e da família Moura, pais do Rui, do Pedro e do Carlos;
» E já dentro da Água Nova, que também é Pé-do-Monte, como não termos saudades dos “Raminhos” dos Bessas e dos “Pombas “, bem como dos srs. João Pinto e sua mulher Deolinda de Jesus – os “Entrudos” – e de João “Tonto” e sua mulher, pais das Srªs Amélia e Alice (tontos), e dos Srs. Manuel Moreira e sua esposa Ana Rosa – os”Moutelas”-, principalmente dos seus maravilhosos filhos, a maioria dos quais já falecidos;
» E subindo um pouco no território, como não termos saudades da Srª. Alice Silva e seu marido Mário, detentores durante muitos anos de um negócio de bens alimentares, especialmente bebidas;
» E subindo mais um pouco, como não termos saudades das famílias Ferreira (os Porteiras), tanto dos que viviam numa casa baixinha frente ao portal de trás do Cemitério, como os que viveram numa casa mais acima já na escalada do Monte;
» E voltando à Rua d’Alegria, como não termos saudades da Srª. Emília “Sardinheira” e do seu marido Joaquim Lemos, bem como do Sr. José Salgado e sua mulher Helena filha do Sr. Silva “Cantor”;
» E frontal a estes, e já regressados às “nossas velhas casinhas“, como não termos saudades dos nossos próprios pais, no meu caso do eterno Bombeiro nº. 20, Sr. Nequinha “Romão” e sua esposa Rosa Quintela, e no seu caso, do Sr. Bernardino Bastos, que nunca foi Bastos mas sim Lopes, e sua mulher Gracinda Ferreira – a Gracindinha do Bastos -, que mais tarde se tornou muito famosa como a “Gracindinha dos plásticos“, com cujo cognome acabou por falecer;
Sabe Luís:
As nossas gerações deveriam permanecer por cá, pelo menons mais duas décadas, sendo que esse tempo ainda se afigura pouco para matarmos todas as saudades que tanto nos inebriam mas que muito mais nos avassalam.
Mas se assim não for, saibamos neste e em próximos natais agarrar-nos ao tempo que resta e às saudades que nos alimentam para nos continuarmos a manter vivos, na certeza de que nunca deixou de fazer parte do caminho, também nós, chegarmos um dia ao fim da estrada!…
Vamos a isso!
José Quintela




