Miguel Faria, cabeça de lista da Lista B às eleições dos órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras, agendadas para 10 de janeiro próximo, defendeu numa entrevista ao SF Jornal a necessidade urgente de reforçar a capacidade operacional da corporação, criticando recusas diárias de serviços e dependência de corporações de bombeiros vizinhas para prestar socorro no concelho.
O antigo presidente da União de Freguesias de Torrados e Sousa identificou falhas concretas na prontidão do socorro, como dias com até oito recusas, ambulâncias paradas por falta de operacionais e apoio constante de Lousada, Freamunde, Guimarães e Lixa. “É lamentável ver bombeiros de fora a fazer serviços nossos; queremos ser referência no Norte, não fotocópia de ninguém”, afirmou Faria, propondo reforço de efetivos, melhorias nos meios e revisão das escalas das Equipas de Intervenção Permanente (EIPs), que operam só de segunda a sexta-feira, deixando fins de semana aos voluntários.
A Lista B questiona, por outro lado, a gestão financeira da atual direção, liderada por Arnaldo Freitas, nomeadamente um empréstimo de 380 mil euros “aprovado irregularmente em Assembleia Geral – sem constar na ordem de trabalhos e já contraído previamente –, apesar de alegados 500 mil euros em contas a prazo e entre 50 e 60 mil em quotas por cobrar”.
Faria acusou ainda a atual direção de opacidade, com remoção de estatutos e contas do site oficial após o anúncio da sua candidatura, falhas nos editais de convocatórias e uso da página nas redes sociais para promover a Lista A.
Refutando acusações de inexperiência e politização – “não é preciso estar lá dentro para saber os problemas” –, Faria contra-argumentou que a Lista A inclui figuras com ligações políticas, como um ex-presidente da Assembleia Municipal e antigos candidatos autárquicos, e revelou pressões para formar lista única, que recusou.
Defendeu que a sua candidatura, composta por “pessoas credíveis, com maior número de mulheres”, posiciona-se como “uma garrafa de oxigénio” e oportunidade de escolha aos associados, sem “guerra instalada”, agradecendo o trabalho da atual presidência e do comando, mas comprometendo-se a valorizar todos os bombeiros, incluindo o quadro de honra “esquecido”, para “devolver dignidade à instituição e assegurar resposta eficaz à comunidade”.
Faria enfatizou, ainda, a reorganização das EIPs, financiadas a 50% pela Câmara e Autoridade Nacional de Emergência, que “deveriam reforçar efetivos em vez de cortar salários e horas extras recusadas apesar da alegada saúde financeira”.
Concluiu afirmando que a sua visão é transformar os Bombeiros de Felgueiras numa referência regional, priorizando transparência e proximidade com sócios através de assembleias regulares.
Paulo Alexandre Teixeira




