A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos alertou hoje para o risco de “roturas graves” na resposta assistencial da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa (ULS-TS), na sequência do que afirmam ser uma situação “crítica” vivida no serviço de Medicina Interna da Unidade Padre Américo, em Penafiel.
Num documento subscrito pelos médicos de Medicina Interna, é descrito “um pico assistencial contínuo” nas últimas semanas que “ultrapassa todos os limites previamente observados” e “compromete objetivamente a segurança dos doentes e a qualidade dos cuidados prestados”. Os clínicos recordam que o hospital já funcionava em regime de sobrecarga, mas consideram que a pressão atual atingiu um ponto “crítico”.
Os médicos denunciam internamentos recorrentes em corredores do serviço de urgência e das enfermarias, assim como em locais sem privacidade, monitorização adequada ou condições mínimas de dignidade humana. Estas práticas são classificadas como “clinicamente inaceitáveis” e “incompatíveis com o exercício responsável da Medicina Interna”, colocando em risco direto a segurança dos doentes.
O serviço definiu como capacidade assistencial máxima 166 doentes internados em Medicina Interna na Unidade Padre Américo, valor que corresponde a cerca de 10 doentes por internista e já representa “o limite superior do aceitável”, face às recomendações científicas.
A partir desse patamar, os médicos declaram que não aceitarão a manutenção de doentes em condições “irregulares, inseguras ou indignas” e que, na ausência de condições consideradas seguras, a responsabilidade pelas decisões de internamento passará para o superior hierárquico, mantendo-se apenas garantidos os cuidados urgentes e inadiáveis.
O documento invoca o Código Deontológico da Ordem dos Médicos, sublinhando que os profissionais não devem exercer em condições que prejudiquem a qualidade dos serviços, nem aceitar interferências que limitem a sua liberdade de juízo clínico e ético.
Os signatários consideram que o contexto atual configura “violação clara” destes princípios e afirmam que a posição assumida resulta do cumprimento rigoroso do dever profissional de não colocar em risco os doentes que lhes são confiados.
Os médicos da Medicina Interna defendem que o esforço extraordinário imposto pelo contexto epidémico não pode recair “de forma desproporcionada” apenas sobre este serviço e pedem que a resposta seja “partilhada por todo o hospital”.
Concluem, informando que o documento será enviado à Ordem dos Médicos, sindicatos médicos e Direção Executiva do SNS, e é solicitado ao conselho de administração o Plano de Contingência de Inverno “em todas as suas fases e planos futuros”, para garantir condições adequadas e seguras na ULS-TS.
Por seu lado, a Federação Nacional dos Médicos assegurou o seu “apoio total, inequívoco e incodicional” aos médicos, acrescentando que o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) pediu “explicações e uma reunião” com o conselho de administração da ULS-TS.




