Artigo de opinião publicado na edição 1484 de 7 de novembro de 2025
Depois das Autárquicas, eis que todas as atenções já se encontram viradas para as presidenciais.
Marcadas para o dia 18 de Janeiro – uma data histórica para os trabalhadores vidreiros da Marinha Grande -, as eleições presidenciais prometem muitíssimo.
Desde já, por já serem oito os candidatos anunciados, não sendo de excluir que mais algum (a) ainda apareça na corrida.
No entanto, os que se encontram anunciados já o são em demasia, mais parecendo uma corrida unipessoal em torno de qualquer outra coisa!…
Não sendo prestigiante para a democracia, que algumas figuras só apareçam para procurarem fixar, ou agigantar a imagem dos partidos a que pertencem, não deixa de ser desolador a posição dos partidos políticos do espetro da esquerda, que ao contrário e à semelhança do que fizeram em eleições anteriores, não souberam agora construir uma boa solução à esquerda.
Sendo que nesta matéria a culpa recai maioritariamente sobre o Partido Socialista, primeiro por não ter trabalhado há mais tempo atrás esta matéria, e depois por ter decidido apoiar um candidato que manifestamente vem demonstrar alguma vergonha, não de o ser, mas para assumir que é de esquerda, não devemos nem podemos esperar que, António Filipe, Catarina Martins, Jorge Pinto ou Cotrim Figueiredo decidam desde já desistir deste combate em favor de uma candidatura super cinzento-escura.
Sendo certo que, tal como em 1986 com Mário Soares, só à segunda-volta votarei SEGURO!…, não me preocupo nem um pouco com cenários estapafúrdicos, porque se este candidato não passar à mesma, só a si e ao seu partido se poderão assacar as responsabilidades por tal efeito, e, jamais, a nenhuma das outras candidaturas.
Em devido tempo, o PS e a demais Esquerda, deveriam ter sabido conversar e trabalhar para assegurarem uma só candidatura no seu campo político, e se tal não aconteceu não será justo nem sério procurar-se à frente assacar responsabilidades a quem as não tem.
Depois das legislativas, onde a esquerda obteve resultados miseráveis, seria de todo o interesse estudar e refletir em torno de uma candidatura alternativa à de António José Seguro, e ademais, por a mesma nem sequer se afigurar encantatória para a generalidade da família socialista.
Porém, à direita, as soluções também não são as melhores, sendo que ainda é cedo, se não mesmo injusto, procurar colar a candidatura de Henrique Gouveia e Melo – a qual será apoiada ilustres socialistas – Manuel Pizarro e Marta Temido, por exemplo -, ao campo da direita.
E havendo à direita dois candidatos fortes, tudo deve ser feito para que só um possa passar à segunda volta, sendo que para Portugal e nesse campo, o melhor seria Luís Marques Mendes.
E vendo normalíssimas vantagens, apesar de tudo, numa igual passagem de António José Seguro para o mesmo fim, dou desde já como adquirido que, nas actuais condições e nos tempos que irão correr, qualquer um deles poderá ser um bom presidente.
E restando apenas o candidato do Chega, aquele que concorre a tudo e a mais alguma coisa, como se nesse campo não seja possível, nem atrativo considerar outras soluções, será do maior interesse não prestar a tal candidatura mais nenhum préstimo do que ela realmente vale, por ser seguro e certo que apenas visa recuperar e reanimar a imagem perdida nas autárquicas e tão só com vista às próximas eleições legislativas.
Com tantos candidatos disponíveis e em confronto para a primeira fase das eleições presidenciais, os mais dos quais tão só dentro de um exercício faz-de-conta, e onde André Ventura com elevada mestria também se certifica, saibamos desde já fixar-nos na segunda-volta, afinal aquela que irá determinar a eleição do próximo Presidente da República.
José Quintela




