O Partido Comunista Português (PCP) apresentou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2026 que inclui a criação de um Plano de Capacitação da Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa, visando “garantir a resposta” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) às necessidades de cuidados da população da região.
A proposta, submetida à Assembleia da República no início de novembro, defende a contratação e fixação de profissionais “para assegurar o funcionamento de todos os serviços” da ULS, que integra os hospitais Padre Américo, em Penafiel, e São Gonçalo, em Amarante, bem como os centros de saúde dos 12 concelhos abrangidos, nomeadamente Felgueiras. O plano prevê a reabertura, até ao final de 2026, de unidades e serviços encerrados, um plano de apetrechamento com meios humanos e técnicos, e o reforço da capacidade na área da reabilitação física, “onde são notórias as dificuldades de resposta em tempo útil”.
O partido denuncia também o subaproveitamento do Hospital de São Gonçalo, que segundo dados anteriores da administração, poderia ver aumentado significativamente o seu potencial com um investimento estimado em dois milhões de euros, “evitando o recurso ao setor privado”.
Paralelamente, os comunistas manifestaram preocupação com uma eventual perda de valências da ULS de Penafiel. Em comunicado, o partido acusa o Governo de promover uma reformulação da Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria que desclassifica unidades locais, canalizando os casos para hospitais do Porto, como o Santo António e São João. Esta decisão, segundo o PCP, representa um “golpe” no acesso à saúde das crianças, não só em Penafiel mas também em áreas como Gaia e Póvoa de Varzim.
O partido critica, ainda, “a consulta pública tardia e limitada” do Governo, que, na sua visão, “restringe a participação democrática dos profissionais, das unidades afetadas e dos utentes”. Alerta que esta reorganização pode enfraquecer o SNS, “emagrecendo” o serviço público, e aumentar o recurso ao setor privado, ao mesmo tempo que compromete a continuidade e especialização dos cuidados pediátricos na região.
O PCP conclui que a perda progressiva de serviços nas unidades hospitalares da região constitui “um sério retrocesso para o direito à saúde das populações”, exigindo “medidas rigorosas” para valorizar e fixar profissionais de saúde e garantir financiamento adequado ao SNS.




