Quinta de Maderne
InícioDestaques“Hoje dá muito mais gosto ser padre quando sentimos o caminho da...

“Hoje dá muito mais gosto ser padre quando sentimos o caminho da humanidade e da Igreja como comunidade, em conjunto”– Pe. Alípio Barbosa (COM VÍDEO)

No final de setembro, a cidade da Lixa acolheu com grande entusiasmo o regresso do padre Alípio Barbosa a Felgueiras, agora como responsável pelas paróquias de Borba de Godim, Vila Cova da Lixa e Macieira da Lixa. O sacerdote, que já foi o pároco, durante cerca de 12,5 anos, de Friande, Jugueiros e Sendim, sucede ao padre Abílio Barbosa nas suas novas funções. O novo pároco esteve até agora em Oliveira do Douro, Vila Nova de Gaia, e mantém funções como Diretor do Secretariado das Missões da Diocese do Porto.


Numa entrevista ao SF Jornal, Alípio Barbosa começou por explicar que o seu regresso a Felgueiras não é o simples “fechar de um ciclo”, mas o retomar de uma jornada que caminha, impreterivelmente, para a frente e para cima, “numa caminhada marcada pela esperança” naquela que é entendida como uma comunidade dinâmica e em evolução.
Inspirado na metáfora cristã de Abraão, o sacerdote opõe a essa visão a de um retorno, em círculo: “O movimento grego do círculo perfeito, como Ulisses que volta a Penélope, é uma visão fechada. Nós, cristãos, caminhamos para a frente, como Abraão, que é chamado a avançar mesmo sem saber onde vai chegar”, recorda.
Questionado sobre o seu programa pastoral para as comunidades da Lixa, o missionário explica que se baseia, inicialmente no acolhimento recíproco, no conhecimento pessoal das pessoas e no “amor pelos outros, que naturalmente conduz ao serviço”.
“O programa neste momento é acolher, ser acolhido, deixar-me acolher, envolver-me pelas pessoas que têm sido maravilhosas e conhecer para depois amar e servir. Conhecer-mo-nos para caminharmos juntos e semear a esperança, que é o que o nosso mundo mais precisa”, acrescenta.
O responsável pelas paróquias da Lixa abordou, ainda, os desafios atuais da Igreja Católica, nomeadamente o afastamento dos fiéis e a crescente secularização, onde observa “uma busca por espiritualidade mais eclética e individual”.
Começou por explicar que as religiões tradicionais têm vindo a sofrer uma erosão, sublinhado que há uma busca de espiritualidade “mais ampla e pessoal, onde cada um constrói o seu próprio caminho”.
Acrescenta que a Igreja, para dar resposta ao problema, deve ser “um sinal de esperança”, acompanhando as pessoas nas suas dores, na pobreza “que muitas vezes não é material mas relacional”, na busca de sentido para a vida e para o envelhecimento. Reforça que a missão da Igreja é a de promotora de perdão, reconciliação e fraternidade “especialmente necessária frente aos dramas do mundo contemporâneo”.
Outro desafio para a Igreja é a escassez crescente de sacerdotes, que obriga muitos padres a acumularem múltiplas paróquias e multiplicar esforços últimos. Para o prelado, este é, sem dúvida, um desafio mas também uma oportunidade, sublinhando que “o futuro não é só dos padres, mas também dos leigos”.
“É um convite para que cada cristão assuma o seu papel, deixando de ser espetador para ser protagonista. Hoje dá muito mais gosto ser padre quando sentimos o caminho da humanidade e da Igreja como comunidade, em conjunto. Não estou só a programar, mas todos juntos a dar escuta ao que as pessoas querem e precisam”, salienta.
A tecnologia digital, e impacto na religião foi também tema de conversa, que Alípio Barbosa abordou tanto vantagens como perigos, lustrando com o exemplo do uso de uma faca.
“A faca foi criada para matar, mas foi domesticada, ou domestica-mo-nos a nós próprios, para servir coisas pacíficas, como as cirurgias, por exemplo. A tecnologia digital exige o mesmo: ser domesticada, para estar ao serviço da humanização e da relação autêntica entre as pessoas. Aproxima os que estão longe, mas pode afastar os que estão perto”, sublinha.
Para o capelão, o legado maior da vida paroquial não é material, mas espiritual: “O que eu gostaria que as pessoas levassem de mim é esta descoberta, esta experiência com Jesus, que nos humaniza e que dá sentido a tudo. Jesus não tira nada, mas dá sentido. Queremos criar uma humanidade mais feliz e esperançosa”, afirma.
Na mensagem final dirigida às comunidades da Lixa, o padre Alípio Barbosa apela para que “construam espaços de escuta e acolhimento mútuo”, ajudando-se mutuamente a caminhar em frente.
“Que criemos espaços para nos escutarmos uns aos outros, para nos acolhermos e irmos encontrar a inspiração e o que há de melhor em nós para rumos em comum e caminharmos em frente”, conclui.
Paulo Alexandre Teixeira

Pub Banner

Pub

Quinta de Maderne

Pub

Teco

Mais Populares

A sua assinatura não pôde ser realizada.
A sua subscrição foi realizada com sucesso

Subscreva a nossa newsletter

Pub

Sifac

Últimas