Eduardo Teixeira, candidato do CHEGA à presidência da Câmara de Felgueiras, apresenta-se como uma alternativa de rutura face a oito anos de governação do movimento Sim Acredita, liderado por Nuno Fonseca. Em entrevista ao SF Jornal, o político felgueirense traçou um diagnóstico crítico da administração municipal e apresentou propostas com que ambiciona revitalizar a democracia local, a gestão financeira e o desenvolvimento do concelho.
Para Teixeira, um dos maiores problemas que afetam Felgueiras é o que considera ser o esvaziamento do debate político, frisando que o atual executivo criou um clima de silenciamento e cooptação partidária, que resultou no desaparecimento quase total do Partido Socialista e na transformação dos restantes partidos numa extensão do movimento SIM Acredita.
Denuncia ainda que PSD, CDS e até o próprio CHEGA não exerceram oposição suficiente. “Esta nossa candidatura do CHEGA é uma pedrada no charco na vida democrática em Felgueiras,” afirma, sublinhando a ambição de restaurar a vitalidade do debate político e criar um fórum plural de ideias no concelho.
No plano financeiro, desmonta o discurso oficial de sucesso económico da autarquia. Contrário à narrativa de “melhores contas de sempre” de Nuno Fonseca, Eduardo Teixeira denuncia uma “grande mentira” e “uma inverdade absoluta”. Aponta para um crescimento do passivo financeiro superior a 400%, a contração de 23 empréstimos que totalizam cerca de 20 milhões de euros e um “aumento vertiginoso” dos encargos com juros, estimados em cerca de 700 mil euros para 2025.
Entre estes empréstimos, destaca um de oito milhões para financiamento de obras que, na sua opinião, servem sobretudo como campanha eleitoral, hipotecando o futuro das gerações mais jovens. “O senhor presidente, [quando] fala dessa maneira, está a ser muito irresponsável e é extremamente grave termos um presidente de câmara irresponsável no planeamento financeiro”, salienta.
Outro capítulo preocupante para o candidato é o estado das infraestruturas, em particular a rede viária concelhia, que classifica de “um caos” devido ao desinvestimento sistemático. Propõe utilizar integralmente o valor arrecadado pelo Imposto Único de Circulação para a manutenção e reparação das estradas, denunciando que este recurso não é atualmente utilizado para esse fim. Defende ainda intervenções estratégicas, como a requalificação da estrada municipal EM562, que serve um intenso tráfego industrial, mas sem obras relevantes há 15 anos e um maior esforço na revitalização da ligação entre a Lixa e Felgueiras, reconhecendo, contudo, que esta é uma obra do Estado.
O candidato critica, ainda, o executivo por não ter aproveitado os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a habitação, ficando Felgueiras atrasada em relação aos municípios vizinhos que reabilitam e constroem habitações. Nesse sentido, defende a criação de bolsas territoriais municipais para habitação acessível e aposta na dinamização da cidade da Lixa, nomeadamente com uma zona industrial que atraia jovens e novos habitantes, contrabalançando a concentração excessiva na zona das Barrancas.
A agenda do CHEGA para Felgueiras inclui ainda uma promessa de uma reforma administrativa e a gestão pautadas pela valorização do mérito e maior transparência. O candidato propõe também uma política fiscal de alívio para empresas e famílias, incluindo a abolição da derrama de 1,5% sobre os lucros das empresas durante os próximos dois anos e a devolução progressiva da quota-parte do IRS municipal às famílias, para estimular a economia local.
Outro pilar importante da candidatura é a proteção ambiental, onde expressa oposição à construção na encosta do Monte Santa Quitéria, recusando o projeto de um cemitério naquela zona e comprometendo-se a preservar os espaços verdes emblemáticos do concelho, como os Montes Seixoso, Perdidos, Santana e Aparecida.
Denuncia ainda a transformação “completamente esventrada” da encosta do Monte Seixoso, responsabilizando diretamente o presidente da Câmara por esta degradação e prometendo apurar os factos caso seja eleito.
Finalmente, a segurança pública é destacada como uma bandeira de honra da candidatura bem como o compromisso de combater o “compadrio, clientelismo e tráfico de influências”, apontando para a existência de presidentes de junta dependentes do universo da Câmara e para a necessidade de uma administração municipal mais autónoma e independente.
A candidatura de Eduardo Teixeira e do CHEGA apresenta-se assim como uma proposta de rutura e reposicionamento para Felgueiras, que pretende devolver a voz aos partidos, promover uma gestão responsável das finanças públicas, investir de forma estratégica em infraestruturas e habitação, preservar o ambiente e reforçar a segurança.




