Há poucos dias, assistindo ao “Debate da Nação” que decorreu no Parlamento, ficamos a saber que há dois líderes políticos a quem foram atribuídos novos cognomes – “Frouxo” ao do Partido Socialista, José Luís Carneiro e “Fanfarrão” a André Ventura, líder do Chega.
Querendo parecer, os dois, Virgens Vestais, a verdade é que muitos portugueses concordam com tal catalogação, sentindo ao mesmo tempo que isso não constitui nenhuma ofensa, seja a que título for.
Eu próprio, aquando da disputa da liderança do PS, entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro, achei e continuo a achar, que, no plano político, o actual Secretário-geral do PS é notoriamente muito frouxo, sendo que este meu achado, por se situar apenas no campo político, não constitui nem jamais poderá constituir qualquer diminuição ou ofensa.
Por outro lado, o termo fanfarrão, no quadro do debate político, e tendo sempre em conta o perfil e o formato interventivo de André Ventura, não só não tem carácter ofensivo, como assenta como uma luva no modo em como este se envolve no debate, não apenas quando se encontra a falar, mas. também, quando se encontra a assistir às demais intervenções, e nomeadamente, como se viu no desenrolar do referido debate, mas, também, como sempre temos observado ao longo dos últimos seis anos.
Tal como eu, muitos portugueses, sentimos que é esse estilo a rondar a fanfarronice que dá de comer a mais de um milhão de portugueses, sendo esse um estilo que vai continuar a vingar, não se retirando com esse apodo qualquer valor a André Ventura, nem havendo na restrita retórica política nenhum propósito de menosprezo pessoal, ou ofensa.
Assim, foi deplorável assistir ao que seguidamente aconteceu, onde os pedidos de “Pontos de Ordem“, de “Esclarecimentos, ou de “Defesa da Honra” foram mais que muitos e a maioria dos quais tão só para servirem de arma de arremesso e sem qualquer sentido ou interesse político.
Posto isto, ficou absolutamente claro, que desde e a partir daí, o debate ficou mais inócuo e ao cabo e ao resto definitivamente desinteressante.
Todavia, sendo muito importante para as pessoas, as medidas enunciadas pelo governo em matéria fiscal, a verdade é que o tema das Reformas carece de um novo “Livro Branco” já que os reformados, agradecendo os presentes suplementos, mais agradeceriam se esse valores pudessem vir a serem consagrados nas reformas mensais futuras, designadamente, a partir de Janeiro de 2026.
Mas mais importante que tudo isto, é que esses valores, ao contrário de se constituírem num único suplemento para pagar em Setembro, pudessem vir a ter carácter permanente a partir de Janeiro, transformando cada um desses três valores – 200; 150 e 100 Euros – em acréscimos reais para cada um desses grupos.
Mas porque assim não será, também para mim, é agora absolutamente claro que, sendo pertinentes, todos estes suplementos reformatórios, quer pela forma como foram criados, quer pelo formato anunciativo, acusam, possuem e prescrevem um incontestável sinal de conteúdos eleitoralistas.
“Texto escrito segundo o anterior Acordo Ortográfico”
José Quintela
Artigo publicado na edição 1479 de 14 de Agosto de 2025




