Matilde Ribeiro, 25 anos, natural da Lixa, mas com raízes aéreas em relação a esta localidade. Atualmente, viajante em trânsito, de “mochila pela Ásia”. Bailarina quase desde que tem memória. Formada em gestão e/ou gestora pelo caminho.
Uma personificação da energia, ânimo e iniciativa. Fazedora das ideias que nunca lhe faltam. Intérprete única das coreografias que a vida lhe ensina ou que aprende muitas vezes por curiosidade. Coreógrafa principal do bailado da sua própria vida, em curso.
Matilde, conta-nos. O que é que fazes da vida?
Uma vez fui a um workshop em que a reflexão que o palestrante estava a tentar trazer era que nós geralmente apresentamos-nos com o nosso nome, a nossa profissão e isso nada diz sobre nós. Porque Matildes há muitas, Matildes que tiraram gestão há muitas, e deixou-nos a refletir o que é que nós podemos dizer sobre nós que nos caracteriza realmente. Que não seja: eu sou a Matilde, estudei isto e faço isto, porque de um dia para o outro posso estar a fazer outra coisa. Então ele deixou esse bichinho e eu fui pensar o que é que eu sou, o que é que eu realmente sinto que me caracteriza, e acho que cheguei à conclusão que sou uma amante de pessoas, experiências e aprendizagens. De pessoas, trazemos um bocadinho de cada pessoa que nos passa; de experiências, e é muito o que estou a fazer agora neste momento num mochilão pela Ásia, à procura de experiências diferentes e de sensações diferentes; e de aprendizagens, porque sou uma eterna curiosa e estou sempre com uma pulguinha atrás da orelha para tudo e uma pergunta na ponta da língua também.
Neste momento… [estou] em busca da felicidade. Se calhar o que eu estou a buscar não é a felicidade. Porque a felicidade não pode ser o fim, tem de ser mesmo o caminho, porque se fosse o fim, quando a encontrássemos, já estava feito. Portanto, acho que estou mais em busca, não da felicidade, isso vai sendo as histórias do caminho, mas acho que estou mais em busca daquilo que são realmente os meus interesses, o que é que eu gosto realmente, e perceber o que é que realmente faz sentido para mim, que sensações e com que pessoas é que me identifico. Portanto, correção: a busca não é pela felicidade, a busca é… pelo meu self.
Estou em viagem. [Esta] viagem era algo que eu já ambicionava fazer e estava a ser planeado no sentido em que eu estava-me a preparar financeiramente para isso, porque exige essa preparação. Ou seja, eu sou assim muito sonhadora, mas também tenho os pés muito assentes na terra. Não acho que devemos largar tudo e ir atrás dos nossos sonhos, acho que não podemos ser inconsequentes nos nossos pensamentos. Então eu fui juntando dinheiro para isto e depois acabou por surgir um bocadinho mais cedo na minha vida do que eu estava à espera, porque sem pensar na viagem sequer eu comecei a sentir muito uma necessidade de fazer uma mudança profissional. Eu estava num departamento de vendas, numa empresa que eu amava, não tinha nada a apontar da minha empresa, da minha equipa, mas estava num departamento de vendas e não me via tanto nessa área. Então comecei a sentir a necessidade de mudar. Comecei à procura de outras coisas e depois percebi que podia aproveitar e encaixar agora a viagem.
A resposta à pergunta “o que é que queres ser quando fores grande”, aproxima-se de alguma forma à realidade de hoje?
Acho que eu nunca tive a mesma resposta para isso durante muito tempo. Porque eu sempre quis fazer muitas coisas e acho que a minha resposta a isso foi: eu quero ser uma pessoa generalista. E nesse sentido eu estou a dar resposta, estou a ir ao encontro disso, porque eu continuo a não me ver a especializar-me em nada, e eu gosto dessa sensação de não saber muito de nada, mas saber um bocadinho de cada coisa. E acho que isso tem muito a ver com o facto de eu ser mesmo muito curiosa.
Neste momento, ainda não sabendo o que quero, eu sei que me vejo em algo generalista. Mesmo dentro da área da gestão vejo-me em algo que me permita tocar um bocadinho em várias coisas.
Vives uma vida apaixonada e muitas paixões. Queres enumerá-las?
Dança. Viagens. Mais recentemente, culinária – cozinhar para comer. Técnicas ou formas de desenvolvimento pessoal. E é isso, para ser abrangente. Mas por exemplo, ali juntinho à dança, o teatro, a música…
Começando pela dança. Começaste pelo ballet muito nova e entretanto tens descoberto outras coisas. Olhando em retrospetiva, como é que achas que a dança te moldou, se é que moldou?
Sem dúvida que moldou. Primeiro, uma coisa: deu-me muito mais conforto e conhecimento do meu corpo, e agora eu percebo o quão drástico [isso] foi, porque estou a fazer aulas numa escola que recebe alunos com todo o nível de experiência, e trouxe-me uma coisa, que é consciência corporal. Não só eu conseguir fazer mais coisas, mas eu também ter consciência das coisas que estou a fazer, (…) em que forma é que o meu corpo está. Além das coisas muito óbvias que o ballet dá: equilíbrio, depois também um certo rigor. Há uma coisa que, entretanto, fui-me apercebendo que me trouxe um bocadinho para a vida, e isto o ballet em específico: resistência à dor.
Acho que mais recentemente com as novas danças que tenho feito, mais conforto com o meu corpo, sentir-me mais confortável, gostar do que vejo. Auto-amor, acho.
Isso é uma das coisas que hoje ainda vais buscar à dança, esse auto-amor?
Sim, agora ainda mais. O ballet é diferente, era uma modalidade mais rígida e tinhas regras. No ballet tu procuravas uma perfeição que existia, ou seja, havia uma forma de fazer-se certo. Isso era uma coisa que eu notava, por exemplo, no contemporâneo é que não havia uma forma de fazer-se certo. Há liberdade para tu deixares fluir. O ballet dá muitas bases, mas tem uma regra e eu gosto de outras danças que não têm uma regra. Porque, no fundo, acho que a dança é uma arte e como tal uma forma de expressão. Ou seja, é para tu [te] expressares através do movimento do teu corpo. E por isso não gosto muito que haja uma regra, e não gosto de pensar que há o dançar bem e o dançar mal.
Nos últimos dois, três anos, quando eu comecei a fazer aulas com duas professoras específicas, [na dança] começou a criar-se um safe space. São aulas [que] convidam muito ao auto-toque, nós nos tocarmos e compreendermos mais o nosso corpo. Começou-se a criar um espaço de liberdade, de conforto e de segurança, e por isso a dança começou a ganhar um sentido diferente. Eu própria comecei a ter mais a capacidade de dançar como se ninguém me estivesse a ver. E foi uma sensação boa.
Portanto, acho que agora a dança traz-me mais autoconfiança, autoconsciência, e… Acho que, de certa forma, me dá uma sensação de liberdade. Há muitas regras que tenho de cumprir, mas com o meu corpo eu danço e faço o que quiser.
E as viagens? Como é que descobriste o gosto pelas viagens?
Eu comecei a viajar mais com a sensação de: não quero perder a oportunidade. Todas as minhas primeiras viagens foram sempre assim, de: tenho oportunidade
porque tenho alguém que eu conheço em algum sítio. Foi Londres a minha primeira viagem “sozinha”, porque tinha uma prima minha a morar lá; foi um amigo dos meus pais
que estava na Suíça; foi uma amiga minha na Bélgica… Fui começando a viajar assim. Isso permitia-me poupar sempre [n]os alojamentos, que é uma grande fatia das viagens. Mas sempre fui juntando dinheiro para isso com trabalhos que fazia nas férias – campos de férias, assim várias coisas – e poupava com essas oportunidades de ter alguém.
Sempre foi super importante a liberdade que os meus pais me deram, e acho que é o que eu mais agradeço aos meus pais: a educação. Esta liberdade que eu tive sempre foi muito na balança liberdade-responsabilidade. Portanto, eles sempre me deram toda a liberdade. Também sempre sentiram que eu lhes transmitia a responsabilidade para não usar essa liberdade para coisas más. E acho que sempre foi um bocadinho um processo contrário. Também sinto que [os] eduquei nesse sentido.
E pronto, as viagens começaram assim muito com a sensação de não perder a oportunidade. E depois tornou-se um gosto. Mas eu acho que… Eu vou viajando sempre com alguma intenção. Porque eu não me lembro de fazer como a maioria das pessoas: ok, eu quero viajar, para onde é que eu vou?
Isso é engraçado e acho que responde à próxima pergunta que eu te ia fazer que era exatamente se tu escolhes o destino ou se o destino te escolhe a ti. Entendo do que me estás a dizer que o destino te escolhe.
Sim, o destino escolhe-me. É curioso que eu nunca fui aos sítios mais típicos das pessoas irem, por serem mais fáceis, quer no tempo de viagem, quer nos preços. Eu de Espanha, só conheço Barcelona. Tenho imensas coisas para conhecer em Espanha. Mas é isso. Acho que ainda não escolhi o destino. Os destinos escolhem-me. Acho que nunca fiz uma viagem assim de eu olhar para o mapa, onde é que eu vou a seguir? Não tenho ideia disso ter acontecido.
Acho que os destinos me escolhem muito nas próprias viagens também, por feedbacks de outros viajantes, mais do que eu idealizar: ah, quero muito ir ali porque é muito lindo! Eu acho que os destinos me escolhem por grandes feedbacks e por experiências que eu sei que vão acontecer.
Então, já agora, na Tailândia foste ao encontro de quê ou de quem?
Estava a sentir assim um chamamento da Ásia… Porque teria uma cultura completamente diferente. Eu gosto muito desses choques culturais. Viajo muito pelas culturas dos sítios. Tudo o que seja festinhas das terrinhas e tradições, adoro ver isso e sentir isso. E por isso é que também gosto muito de ficar tanto quanto posso com locais, que me possam explicar.
Comecei pela Tailândia porque sabia que eles aqui – isto por algumas viajantes que eu sigo – tinham essa dedicação a um trabalho de desenvolvimento pessoal que me interessava. Não é bem desenvolvimento pessoal. Eles têm algumas práticas para olhar para dentro. Portanto, dedicam-se muito a meditações, breath work, ecstatic dance… Esses exercícios interessavam-me e despertavam-me curiosidade, e por isso eu quis começar pela Tailândia, vinha um bocadinho atrás disso.
Vamos então agora ao desenvolvimento pessoal. Como é que isso entrou na tua vida? Em que momento?
Foi quando eu fui morar para o Brasil. Eu em 2022 fui fazer um duplo mestrado para o Brasil, que depois acabei por cancelar e fiquei lá a trabalhar, mas fui para lá passar meio ano. No Brasil é banalissimo as pessoas fazerem terapia. Portanto todos os seguros de saúde oferecem esse serviço, ou quase todos. Então as pessoas fazem terapia semanalmente, é algo mesmo muito normal. Em Portugal ainda não é tão banal assim fazer terapia preventiva, acho eu. Acho que se faz mais a terapia ou procura-se mais para a resolução de um problema. E lá faz-se muito terapia regular, preventiva. É exatamente como vamos ao ginásio para tratar do corpo, ir à psicóloga para tratar da mente.
Fui percebendo, por admiração pelas minhas amigas que faziam terapia, que realmente a terapia tinha muitos resultados, porque elas viviam mesmo confortáveis com elas próprias, e eu admirava [isso]. Lembro-me de um episódio em que eu tive um desafio na minha vida pessoal lá, e elas ao aconselharem-me, como qualquer amiga aconselha (…) tinham mais clareza sobre mim do que eu própria.
Então, depois de voltar do Brasil, comecei a fazer terapia. Comecei na altura num serviço gratuito da faculdade, depois entretanto já troquei para duas psicólogas. Estou na minha terceira psicóloga, e acho que encontrei a minha luva. Eu sinto que o que a terapia me deu principalmente foi eu passar a viver para mim. Eu sentia que vivia completamente para as outras pessoas. Tinha muito peso o que as outras pessoas diziam, tinha muito peso o que as outras pessoas achavam… Eu vivia muito em função disso. E passei a viver para o que é que eu quero, o que é que me faz bem, o que é que eu gosto. E acho que foi muito isso que a terapia me deu. Comecei também como consequência, ou seja, até poderia ter sido uma sugestão da terapia, mas não foi, comecei também a fazer muito journaling, a escrever muito, porque eu achei que me ajudava a organizar os pensamentos para levar à terapia e já ter uma linha de pensamento. E comecei a sentir que muitas vezes o que eu escrevia já nem precisava de levar à sessão porque já tinha organizado os pensamentos o suficiente para arrumar essa gaveta. E então é algo que eu faço agora muito frequentemente e que me ajuda muito.
Achas que neste momento, aliado ao teu interesse e à tua disponibilidade atual, aquilo que de mais valioso estás a descobrir nas viagens e no ato de viajar é mesmo a auto-descoberta ou há outras coisas?
Sim, acho que a auto-descoberta… São as auto-cenas, eu gosto desta expressão. Auto-cenas, porque acho que entra muita coisa.
Mas as viagens, ou seja, acho que me trazem uma coisa, que não tem muito a ver com as auto-cenas, que é as sensações. São sensações e despertar sensações, que eu gosto e não tem propriamente a ver com o desenvolvimento pessoal. No entanto abre-me muito a mente. E eu sinto-me uma mente aberta. E tu conheces pessoas e percebes que não há uma forma certa de viver. Há pessoas que têm vidas completamente diferentes. Eu já fui ver tribos que vivem sem contacto nenhum com o mundo digital. E percebes que o mundo é mesmo coisas completamente diferentes. Sinto que isso me abre muito a mente, em termos de sensações e de conhecimento. E depois acho que o facto de viajar sozinha traz-me mais dessa auto-descoberta, auto-consciência e auto-conhecimento. Acho que é mais pelo facto de estar a viajar sozinha, porque se viajas com amigos acho que já é diferente, porque lá está, continuas a trazer o teu contexto contigo, que é algo que te molda imenso. Então acho que é o viajar sozinha que faz essa diferença.
Por falar em viajar sozinha. Existe muitas vezes o pressuposto de que só gente corajosa ou incauta é que viaja sozinha – e sobretudo sozinha e não sozinho – para fora dos lugares mais mainstream. Tu és corajosa, és incauta, inconsciente? Não és nada disso? Como é que descreves a maneira como lidas com eventuais medos?
Por acaso, eu acho que no início comecei a viajar muito sozinha talvez por ainda não ter noção dos perigos. Ou seja, não tinha medo. Achava: não, vai dar tudo certo. Acho que me faltava um bocadinho de noção.
Acho que tenho a coragem de vir e de fazer, mas acho que sou muito cuidadosa. Isto principalmente por ter morado no Brasil, e por ter ido sozinha para o Brasil. É um país muito perigoso, principalmente no que toca, pronto, a roubos, furtos e assaltos e coisas assim. E então, passou a ser normal para mim eu ter certos cuidados, que não tenho em Portugal e no meu dia a dia, como trancar coisas, usar aloquetes… (…) E consigo que isso não seja uma fonte de stress. Porque também sinto que uma pessoa estar a pensar que em qualquer momento pode acontecer alguma coisa, é uma fonte de stress. E não é bom viver assim, nem viajar assim. Aposto bastante na prevenção.
Mas também acho que não sinto muito medo. Eu sinto que as pessoas me veem como corajosa, mas eu não me sinto assim, sabes? Parece que para mim era a opção, era ir. Há uma frase que eu gosto muito que é: “É maior a dor do arrependimento, do que a dor do fracasso”. Ou seja, é melhor ir e fazer e correr mal, do que ficares a matutar e porque é que eu não fui… E portanto para mim o caminho era ir. Também acho que estando a viver as coisas os problemas tornam-se mais pequenos. Por exemplo, eu estava em Portugal a pensar na viagem: como é que eu me ia mover dentro da Tailândia, e quando eu quiser ir para o retiro como é que eu vou para o retiro, [que] é no meio do nada, no meio da floresta… E estando em Portugal isso parece muito complicado, mas depois quando estás aqui e falas com pessoas que sabem onde é e que moram aqui, (…) torna-se mais simples.
E depois de te fazeres à estrada, os problemas tornam-se pequenos, “O Mundo é Fácil” (Gonçalo Cadilhe), viajar é fácil. Concordas?
Hmmm… [Hesita] Imagina, acho que ainda não tenho essa sensação porque eu tenho uma grande restrição financeira. Eu sou muito regrada financeiramente. Mesmo em viagens – principalmente [agora] que estou a fazer uma viagem grande. Acho que isso tira um bocadinho a sensação de “é tudo fácil e simples”. Porque eu analiso muito os preços e o que é que faz mais [sentido] para mim.
Viagens diferentes foram-me trazendo desafios diferentes e entraves diferentes, mas também acho que fui tendo as possibilidades. E eu tenho um cérebro – e a minha psicóloga também já me alertou para isto – muito orientado para a solução. É isso, sou muito de problem solver, e de improviso, e daí também essa coisa da prevenção. Sinto que há muita solução para tudo.
Nesta viagem, por exemplo, acho que no início foi [desafiante] conseguir ficar com o mindset certo. Primeiro, [tive os] desafios normais de uma viagem e que para mim foram novidades: a comida, (…) a língua… Além disso, tive um desafio curioso, foi eu ter de perceber no início que eu estou numa viagem completamente diferente. Estou numa viagem de meses, portanto eu não tenho de estar todos os dias a turistar como se não houvesse amanhã, ou a ir atrás de experiências como se não houvesse amanhã. Eu entrei com esse ritmo, e ao fim de três dias eu percebi que tinha de ajustar a forma como eu estava a ver a viagem. (…) E não é só um estilo de viagem diferente, mas uma nova forma de estar que estranhei, que é o ser nómada. Estava com muita ansiedade também com a questão, acho que aceitar que eu decidi tomar esta [decisão]. Embora eu estivesse muito certa e quisesse muito isto, mas a pessoa fica sempre com dúvidas, porque é uma coisa um bocadinho diferente de um percurso normal, do que a maioria das pessoas faz. Mas o bom é também saber sempre que tenho onde voltar e que de hoje para amanhã posso voltar a casa se quiser. E eu tenho amigos e colegas e pessoas que vou conhecendo no caminho que não têm isso, não têm onde voltar, porque têm um contexto completamente diferente e um passado completamente diferente. Sei que consigo estar a fazer isto com a paz que estou a fazer, porque tenho um porto de abrigo. Acho que isso é uma sensação mesmo importante de ter. Mesmo se tudo der errado aqui, eu vou ter uma casa com uma porta aberta para mim.
Terminamos com uma frase da tua autoria, que tens escrito no teu Instagram. “A única congruência é a aleatoriedade”. Como é que descobriste esta verdade? O que é que isto significa para ti?
Eu gosto muito de comunicar, de partilhar, de partilhas no geral. Então eu queria começar a ser mais ativa no Instagram, até que foi algo que eu tenho feito mais agora. Porque gosto, gosto também das conversas que isso despoleta e assim. E fiz um workshop sobre Instagram, que dizia que as pessoas deviam ter um nicho, ou não, mas que a best practice era as pessoas terem um nicho. E eu estava: eu não tenho nicho nenhum, mas eu vou escrever aqui o que é que eu gosto. E comecei a escrever no meu bloco coisas que eu gostava. E eram coisas, lá está, muito diferentes, e muito decorrente de eu ter muita curiosidade sobre muitos temas diferentes. E eu não me via, nem queria falar só sobre nenhum, porque eu sinto que não sou só um deles. Então, comecei a escrever várias coisas, e antes disso – a única congruência é a aleatoriedade – diz: dança, viagens, culinária, desenvolvimento pessoal… E agora não diz mais porque o Instagram tem um limite de 150 caracteres, se não dizia mais. [Risos] Escrevi isso tudo. E depois olhei
para isso e estava a tentar arranjar algo que juntasse tudo isso, numa mesma palavra. Que era para me descrever, descrever os meus interesses, o que é que o meu Instagram poderia refletir. E nesse exercício de tentar juntar todos os meus interesses numa palavra, a tradução disso foi: a única congruência entre isto tudo, é que é tudo aleatório. Eu não vou querer, nem conseguir escolher, nem querer escolher só uma coisa. Porque eu gosto muito de muitas coisas diferentes. Gosto muito de negócios, e gosto muito de dança, e gosto muito de desenvolvimento pessoal, e gosto muito de técnicas culinárias. E pronto. E eu considero-me uma pessoa muito aleatória, e gosto de trazer exemplos aleatórios também.
Matilde Ribeiro à QUEIMA-ROUPA:
- Quantos países é que tu já visitaste, mesmo? Tailândia é o 24º.
- Viajar sozinha ou acompanhada? Sozinha.
- O que é que não falta na tua mochila? Água. Ou histórias, é mais bonito.
- O melhor sítio onde já dormiste? O meu quarto em casa dos meus pais.
- O que é que não repetias? Passeios turísticos que tenha feito, que não me tenham acrescentado grande coisa.
- Aquela comida de conforto? Ah, canja da minha mãe. Foi a última que comi antes de vir, vai ser a primeira que vou comer quando chegar. Ou uma francesinha, também pode ser.
- Qual é a paisagem para ti? Pode ser o Jardim do Morro, o pôr do sol no Jardim do Morro.
- E a viagem? A viagem é a viagem interior.
- Aquela música que para ti faz sentido em qualquer atitude? Home do Passenger.
- Alguma pessoa que te inspire particularmente? Olha, por acaso agora vim para a Tailândia muito inspirada por uma pessoa que é a Márcia D’Orey. Fora ela, inspiro-me muito pelos meus pais e acho que são dois exemplos muito grandes de vida para mim.
O que é que levas e o que é que trazes? Levo energia e trago cansaço. [Risos] Não! Levo energia e trago histórias. Eu acho que é sobre ter histórias para contar.
Mariana Costa




