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No reino dos amigos

Durante sessenta e sete anos nunca deixei de jogar futebol. Tendo começado aos cinco no Adro do Cemitério Municipal, aos seis passei a subir o monte de Santa Quitéria para continuar a jogar, nessa altura, no monte de São Domingos, bem perto do pinoco, onde durante vários anos assim permaneci com o primeiro grupo de amigos.

No entretanto, já integrado noutros grupos, passei a jogar no Casal (Sendim), e logo, logo, no antigo e actual campos de futebol do Pombeiro, crendo ter sido aqui onde permaneci mais tempo.

Mas como as mais das vezes eram mais que muitos os jogadores que ocorriam ao campo actual, comecei a descer até Jugueiros, onde inserido num novo grupo joguei anos sem conta.

Sendo que algumas vezes, principalmente no inverno e por falta de jogadores, não havia jogo, passei a rumar ao campo de Sendim, onde mais uma vez, num novo grupo de amigos, continuei a jogar.

Porém, também no campo de Sendim, por vezes não havia jogo, pelo que, sempre com o carro à mão, passava a deambular pelos campos do Moure e do Friande, sendo que neste último, ao contrário de Jugueiros, no inverno nunca faltavam jogadores.

Regra geral encontrava sempre um campo onde era acolhido e onde me passei a integrar em diversos grupos de amigos.

Não raras vezes, também joguei nos recintos do Pinheiro, do Caramos e do Lagares (Oleiros), tendo mais tarde regressado às origens – Santa Quitéria -, para continuar este meu fado…, ajudando a revitalizar o grupo que ainda hoje existe, mas que após a minha integração ganhou outra pedalada e maior dimensão.

É claro que regressei a Santa Quitéria, porque, devido à criação dos campeonatos amadores de Felgueiras e de Fafe, começou a ser difícil jogar noutros campos, por falta de atletas.

Regressado a Santa Quitéria, tudo fiz – até a improvisação de balizas a sério -, para que o ainda agora nosso grupo ganhasse conteúdos, consistência e perseverança.

Contudo, devido à precaridade lamacenta do terreno e à perigosidade constante para os jogadores, tivemos que adoptar uma solução revolucionária, mudando de um simulacro de campo de futebol para um verdadeiro, desta feita, para um sintético do Parque Desportivo do Várzea, onde desde há muitos anos nos continuamos a divertir e a conviver, mas, sobretudo, a certificar como jogadores de primeira linha.

Tendo nascido na Grécia, o futebol, é, principalmente, um acto de diversão e convívio, constituindo estas premissas os mais importantes sinais da nossa grandeza em jogo.

No entretanto, sempre em grupo de amigos, que constituí, ou onde me entrosei, também joguei em Luanda-Angola, onde, nesta data e há cinquenta anos me encontrava. De igual modo, sempre que me encontro no Estoril, em dois grupos diferentes de amigos, quer no campo dos Salesianos, quer num dos sintéticos do Estoril Praia, não tenho deixado de jogar, havendo sempre por ali um lugar para mim.

Portanto, sem deixar de jogar futebol durante sessenta e sete anos, chegou a hora de parar, o que farei até ao final do ano em curso.

Julgando que ainda não faço má figura, os meus amigos instam-me para continuar por mais algum tempo, mas sendo da ciência que não devemos pedir ao corpo mais daquilo que ele nos pode dar, é mesmo este o tempo certo para parar.

Contudo, encontrando-se o principal feito, e com o Alberto (Ronaldo) na frente a timonar, o grupo tem todas as condições para continuar.

Tendo na sua base os últimos “moicanos” de Santa Quitéria, este grupo deveras super-renovado, apresenta-se agora mais consistente, mais jovial e com maior qualidade, razão pela qual, torço e acredito que vai continuar a andar por aqui…, jogando, até às “Calendas Gregas“.

No passado sábado (19/7), entrosados num lanche/convívio do maior requinte e fartura, procedemos à celebração da minha saída oficial do grupo, e por todos os sinais observados, confirmei a convicção de antes – a de que este magnífico grupo continuará a ter futuro.

Num concelho, onde outrora tanto se investiu em campos de futebol, muitos dos quais presentemente às moscas, este grupo, que tanto se certificou em Santa Quitéria, mas a quem a Câmara Municipal nunca concedeu um espaço condigno para jogar, apesar de algumas fragilidades, terá que continuar a crescer e a brilhar dentro do espaço de uma das mais célebres Instituições Desportivas do concelho, neste caso,a Associação Desportiva de Várzea!

Bem haja! todos, todos, todos!

Texto escrito segundo o anterior Acordo Ortográfico

José Quintela

Artigo de opinião publicado na edição n.º 1478 de 25 de julho de 2025

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