Entrevista publicada na edição 1477 do o SF
O professor Alfredo Alves tomou posse, no dia 30 de junho, como o novo diretor do Agrupamento de Escolas da Lixa, assumindo o cargo com um discurso centrado na inclusão, no trabalho em equipa e na inovação educativa.
Na cerimónia, com “casa cheia” no auditório da Escola Secundária da Lixa, o docente de 60 anos, natural de Vila Cova da Lixa, destacou o papel de todos os membros da comunidade escolar e garantiu o compromisso de construir uma escola onde “todos contam”, reforçando o envolvimento de alunos, professores, funcionários, famílias e entidades parceiras.
Alfredo Alves apontou ainda a integração da tecnologia, o reforço de valores como o respeito e a empatia, e a aproximação à comunidade como linhas orientadoras para o seu mandato, defendendo “uma escola aberta, interventiva e de excelência”.
O novo responsável acredita que o sucesso será “coletivo”, afirmando que “com dedicação e união, faremos do Agrupamento da Lixa um exemplo de qualidade e inovação educativa”.
À parte do evento, o SF Jornal esteve à conversa com o novo diretor, que explanou alguns das suas propostas para o mandato que agora iniciou.
SF Jornal (SF) – No seu discurso de tomada de posse, afirmou que pretende um modelo de escola “onde todos contam”. Pode, sucintamente, explicar as bases da sua visão e como pretende implementar este modelo no Agrupamento de Escolas da Lixa e qual a razão para esta visão?
Alfredo Alves (AA) – Pretendo implementar no Agrupamento de Escolas da Lixa um modelo de escola assente na valorização de todos os membros da comunidade educativa, reconhecendo que o sucesso escolar dos alunos depende do contributo de cada um. A minha visão baseia-se na criação de um ambiente colaborativo, onde docentes, não docentes, alunos, encarregados de educação e entidades externas trabalham em conjunto, de forma articulada, para construir as condições que promovam o sucesso escolar e pessoal dos alunos. A razão para esta visão prende-se com a convicção de que apenas através do envolvimento, respeito e valorização de todos conseguiremos criar as sinergias necessárias para alcançar melhores resultados educativos e, sobretudo, uma escola mais inclusiva, participativa e motivadora.
SF – Também falou de um trabalho de equipa. Pode, sucintamente, apresentar a sua equipa de trabalho, a razão da escolha destes nomes e quais as respetivas responsabilidades, nomeadamente na implementação da sua visão para o agrupamento.
AA – A equipa de trabalho que proponho assenta maioritariamente nos elementos que transitam da anterior equipa de gestão. Trata-se de um grupo de profissionais experientes, com profundo conhecimento do Agrupamento de Escolas da Lixa e um historial de empenho e dedicação, que garantem estabilidade e continuidade ao projeto educativo. A escolha destes elementos deve-se, precisamente, à confiança que inspiram pela sua competência, pela capacidade de trabalho em equipa e pelo compromisso com a melhoria contínua do agrupamento. Cada membro terá responsabilidades específicas alinhadas com a implementação da visão que defendo, nomeadamente na coordenação pedagógica, na articulação com a comunidade educativa e na criação de estratégias que promovam o sucesso escolar e o bem-estar de todos.
SF – Mencionou, igualmente, uma preocupação com a aproximação à comunidade, uma área onde muitas escolas e agrupamentos apostam cada vez mais. Seria possível explicar como pretende aproximar o agrupamento à comunidade, talvez com um ou dois exemplos práticos, ou ideias de como pretende fazer esse contacto e interação?
AA – De facto, considero fundamental reforçar a relação do Agrupamento de Escolas da Lixa com a comunidade local e regional. Pretendo, nesse sentido, aprofundar a articulação com as instituições locais, o Município e a CIM do Tâmega e Sousa, aproveitando os projetos já existentes e promovendo novas parcerias. Um dos exemplos concretos será o desenvolvimento de atividades conjuntas no âmbito da Formação em Contexto de Trabalho, permitindo que os nossos alunos tenham experiências reais no tecido empresarial e institucional da região. Paralelamente, pretendo dinamizar iniciativas culturais, sociais e educativas em colaboração com associações e entidades locais, para que a escola se afirme como um espaço aberto à comunidade e um motor de desenvolvimento local.
SF – Por outro lado, defende também uma aposta na inovação. Partindo do princípio que, para além de outros fatores, o recurso à tecnologia é uma das vertentes que possibilitam a inovação, estaríamos interessados em saber a sua opinião sobre dois temas relevantes e que estão na ordem do dia, nomeadamente o uso de telemóveis em ambiente escolar e o impacto da Inteligência Artificial no ensino. O professor vê estas duas tecnologias como uma ameaça ou uma oportunidade para ambos professores e alunos?
AA – Vejo a utilização das tecnologias no processo educativo como um caminho irreversível e inevitável. A rápida evolução da sociedade e o impacto crescente da Inteligência Artificial (IA) impõem-nos o desafio de integrar estas ferramentas de forma responsável e estratégica no contexto escolar. No entanto, acredito que essa integração deve ser feita de forma gradual, refletida e orientada para a criação de sinergias que efetivamente melhorem o processo de ensino e aprendizagem.
A este nível, destaca-se a implementação, já no próximo ano letivo, do Centro Tecnológico de Informática no Agrupamento, um projeto que dotará a escola de oito novas salas equipadas com tecnologia de ponta, permitindo o acesso a ferramentas digitais inovadoras e potenciando o desenvolvimento de competências digitais nos nossos alunos.
Relativamente ao uso de telemóveis em ambiente escolar, considero que estes podem ser, em determinados contextos, ferramentas úteis no apoio ao processo educativo, desde que utilizados com moderação e sob orientação pedagógica. Contudo, defendo que, sobretudo nos primeiros ciclos de ensino, a sua utilização dentro do espaço escolar deve ser muito restrita ou mesmo desaconselhada, de forma a privilegiar o tempo dedicado à socialização, ao desenvolvimento de competências relacionais, desportivas e culturais, essenciais à formação integral dos jovens.
Em suma, tanto os telemóveis como a Inteligência Artificial representam oportunidades valiosas para o ensino, desde que o seu uso seja acompanhado por regras claras, sentido crítico e um acompanhamento adequado por parte dos docentes
SF – O agrupamento, e em particular a Escola Secundária da Lixa, tem-se destacado nos últimos anos, tanto a nível concelhio como mesmo da região do Tâmega e Sousa, nos rankings escolares anuais. Como docente “da casa”, como acha que chegou a ES Lixa a este ponto e como poderá manter, ou mesmo superar, os números apresentados, nos próximos anos?
O Agrupamento de Escolas da Lixa, e em particular a Escola Secundária, tem-se destacado nos últimos anos pelos excelentes resultados escolares, não só no contexto concelhio, mas também a nível regional e nacional. Estes resultados são fruto, essencialmente, do empenho, da perseverança e da dedicação dos alunos, aliados ao profissionalismo, à competência e ao compromisso dos docentes. Importa igualmente salientar o papel determinante da estabilidade das equipas pedagógicas, ao longo dos últimos anos, que permitiu um trabalho consistente, articulado e orientado para o sucesso. Para manter e, se possível, superar estes resultados, considero fundamental continuar a investir na criação de condições favoráveis à aprendizagem, na valorização do mérito, no acompanhamento próximo dos alunos e, sobretudo, na manutenção da estabilidade das equipas, promovendo um ambiente de trabalho colaborativo, exigente e motivador.




