O que leva uma nação a esconder os seus feitos? A apagar da memória coletiva os nomes que lhe deram glória? A substituir orgulho por culpa, como se a História fosse um erro a ser corrigido?
Muito por culpa de alguns, Portugal vive hoje um estranho fenómeno: a vergonha da sua própria grandeza. Em escolas e universidades, os Descobrimentos estarão a ser apresentados como um “crime”, Vasco da Gama como um “colonizador”, e Camões como um símbolo de “hegemonia branca”. Esta reinterpretação não é um debate académico, é uma amputação da alma nacional.
Não se trata de ignorar os erros do passado, mas sim de compreender o contexto histórico. Os portugueses abriram o mundo ao mundo. Levaram a língua, a fé, o comércio, o conhecimento. Construíram pontes entre civilizações quando outras potências nem sequer sabiam existirem oceanos. E agora querem que peçamos desculpa por isso?
A narrativa dominante tenta reduzir o Império Português a uma caricatura de opressão, ignorando os laços culturais e humanos que dele resultaram. Portugal não colonizou somente; educou, construiu, misturou-se. A lusofonia é um legado vivo e criador, e não uma culpa histórica.
Como dizia Fernando Pessoa, “Ser português não é uma maneira de ser, é uma maneira de estar no mundo.” E não há maior traição do que negar essa maneira, essa presença, essa luz atlântica que moldou a civilização global.
Portugal precisa de reencontrar-se. Não com arrogância, mas com verdade. Com firmeza. Com alma.
Jorge Miguel Neves
Artigo publicado na edição 1476




